Mostrando postagens com marcador História Maçônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História Maçônica. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de agosto de 2016

A MATEREGRA DOS TALHA-PEDRAS DE VENEZA



LA MARIEGOLA[1] DEI TAGIAPIERA[2] DI VENEZIA

Tradução, adaptação e notas por Tiago Roblêdo M\ M\

INTRODUÇÃO


A intenção desta análise é melhor compreender qual seria a relação entre os irmãos da Escola de "Tagiapiera" de Veneza no período medieval e entender, também, seus posicionamentos para com os membros de outros Ofícios edificativos, suas relações com as instituições eclesiásticas e com o governo local, seu sistema de proteção e de salvaguarda contra os estrangeiros, a comparação com outras realidades em outros lugares etc. Pede-se ao leitor compreensão, pois em  alguns casos a transcrição ou tradução, não estar rigorosa em determinados momentos, isto, devido às más condições do documento original.

O TALHA-PEDRA

Em Veneza, a Corporação tinha uma característica predominantemente artesanal, apesar de ter sido posteriormente descoberto que, em paralelo, havia um mercado típico, ou seja, a atividade do comércio de matérias-primas e produtos finais.
A Corporação era dividida em três categorias: os Tagiapiera ou pedreiros, os Fregadori ou ilustradores, os Segadori ou serradores. Os Intagiadori, ou entalhadores de pedras, aqueles que entalhavam folhas, flores e frutos, formavam um outro pequeno ofício, que se se tornaria por decreto do Senado em 1724 parte do Colégio de Scultori, ou escultores.

domingo, 3 de abril de 2016

O MANUSCRITO HALLIWELL: O Poema Régio da Maçonaria




INTRODUÇÃO

O Manuscrito Halliwell ou Poema Régio é datado por volta de 1390 e composto de 794 versos com rima emparelhada em inglês arcaico, tratando do Ofício Maçônico como era praticado na Inglaterra do Século XIV. Sua autoria não é totalmente esclarecida, sendo usualmente atribuída a um clérigo que tenha sido capelão ou secretário do Ofício. Foi publicado pela primeira vez em 1840 por James O. Halliwell com o título “The Early History of Freemasonry in England”, atualmente o manuscrito encontra-se no Museu Britânico, transferido da biblioteca real (quando passou a ser conhecido por manuscrito régio) em 1757 por doação do rei Jorge II.

A suma importância dada a este manuscrito pela Tradição Maçônica vem do fato de este ser comprovadamente o mais antigo documento de Maçonaria Operativa Insular que se tem registro. Comprovadamente se frisa, pois há documentos de datação ou pertinência contestada.

terça-feira, 28 de abril de 2015

A ORDEM REAL DA ESCÓCIA: A Maçonaria de Cavalaria




- Tradução e adaptação por Tiago Robledo



Existe uma tradição entre os Maçons da Escócia qual lega que após a dissolução dos Templários, muitos destes cavaleiros designados para a Escócia colocaram-se sob a proteção de Robert Bruce. Após a decisiva batalha de Bannockburn, qual ocorreu no dia de São João Batista (celebração do solstício de verão no hemisfério norte) em 1314, Robert Bruce teria então instituído a Ordem Real de Heredom e dos Cavaleiros da Rosa Cruz estabelecendo sua sede principal em Kilwinning. Desta Ordem, mesmo que de modo improvável, o atual grau de Rosa Cruz de Heredom teria se originado.
Qualquer que tenha sido a origem e fundação da Ordem Real da Escócia, esta clama ser a mais antiga, se não for de fato, Ordem Maçônica de Cavalaria, o que provavelmente é verdadeiro. A Ordem dos Cavaleiros Templários Maçons foi instituída por Maçons, mas tem muito pouco de Maçônico (no que tange o ofício da construção) em seu Ritual.

domingo, 1 de março de 2015

MANUSCRITO DE UM APRENDIZ FRANCO-MAÇON 1780




- Traduzido e adaptado por Tiago Robledo

ARQUIVOS SECRETOS: Manuscrito MS 5921-10 depositado na Biblioteca Municipal de Lyon[1]


"Sábio e iluminado discurso para a recepção de um aprendiz franco-maçom, recebido da Itália e originário da Alemanha, 1780."

(Nota escrita a mão pelo Ir\ J.B. Willermoz[2], posta ao verso do discurso)

A Maçonaria é um segredo que existe desde que o mundo foi criado. Este segredo foi passando de geração em geração até os nossos dias, e assim o continuará sendo feito até o fim dos séculos. Este segredo é impenetrável não tão somente aos profanos, mas também para os Maçons débeis, indolentes e superficiais. Ser Maçom, antes de tudo, é procurar merecer sinceramente ser iniciado em nossos mistérios.

Para se ter uma ideia desta busca, é preciso ser guiado, a Natureza se encarrega de nos inspirar este sentimento. Todo homem nasce com o desejo de ser feliz, todo homem nasce com o desejo da virtude. Mas a Natureza por si só não é suficiente para aperfeiçoar ao homem, ela sabe disto bem, e ela mesma o motiva a consultar a Razão. Esta o recebe e lhe proporciona todos seus cuidados, a Razão não rejeita jamais a aqueles que a ela se entregam.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O RITUAL DOS FRANCOS-MAÇONS OPERATIVOS: Um Testemunho das Práticas Tradicionais


Além das aptidões e das qualidades herdadas, é a tradição que faz de nós aquilo que somos.
- Albert Einstein

APRESENTAÇÃO


 Escudo de Armas dos Maçons  (Alemanha, 1515)

Em 1909 houve uma palestra para a Sociedade de Engenheiros de Leicester, com posterior publicação dum livreto intitulado Arte Tectônica , um estudo de quinze páginas dedicado à história das agremiações de construtores, à sua organização, a algumas das suas técnicas e às suas simbologias, seu autor foi um maçom chamado Clemente Stretton.

Stretton reafirmava que a Maçonaria Especulativa foi originada a partir da Maçonaria Operativa, entretanto os Maçons Aceitos Especulativos teriam sido recebidos apenas nos graus iniciais da Ordem, tendo apenas um conhecimento parcial ou incompleto. Stretton possuía uma posição ímpar da questão, além de Maçom Especulativo, era engenheiro de profissão e trabalhara na construção de diversas estruturas, dizia que ele próprio havia recebido de um remanescente destes Maçons Operativos as instruções da A Respeitável Sociedade de Pedreiros Livres, Pedreiros Brutos, Muradores, Telhadores, Calceteiros, Pavimentadores e Ladrilheiros.

Posteriormente Thomar Carr compilou e editou parte dessas instruções com permissão desta Sociedade e auxílio do próprio Sttrenton, e esta é a obra que segue traduzida. Para os trabalhos de tradução, foram utilizadas algumas edições em língua inglesa (a original) e outras em espanhola, cujas notas e parênteses relevantes foram mantidos e acrescidos junto a algumas considerações finais e explicativas sobre o texto.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

AS OBRIGAÇÕES ANGLO-NORMANDAS: O primeiro documento da Maçonaria Inglesa


AS OBRIGAÇÕES ANGLO-NORMANDAS

Uma coisa não é justa porque é lei, mas deve ser lei porque é justa.
- Barão de Montesquieu


APRESENTAÇÃO


As origens da Maçonaria inglesas podem ser certificadamente traçadas por volta ao século XIII ou XIV, e provavelmente seu primeiro documento oficial emitido em 1356, qual enuncia Obrigações e narra sobre a formação da Companhia Anglo-Normanda[1] de Maçons de Londres e os princípios que regem a Loja que já existia em York Minster. Cipriano Oliveira em sua obra. Maçonaria, Passado, Presente e Futuro, reforça a relevância desta antiquíssima Obrigação:

“Muitos consideram-no (o primeiro ato fundador da Maçonaria Operativa, mas outros vão muito mais atrás na história. O certo é que, não sendo o mais antigo, é o mais completo e elaborado que se conhece. Informa que[...] 12 pedreiros, liderados por Henry Yevele (1320-1400), foram até a Câmara de Londres, levando um esboço de um Estatuto do Trabalhador da Pedra onde se previa, além da Obediência às autoridades locais, a fidelidade ao Rei e à Religião vigente, um pedido para que suas reuniões fossem fechadas, sem a presença de pessoas estranhas. Obtiveram a solicitada autorização oficial e fizeram um Código e um Regulamento Interno, para a instalação de uma Sociedade de Pedreiros (The Fellowship of Masons). Os seus membros passaram, assim, a ter certos direitos e vantagens, tais como: Trânsito Livre, numa época em que não se tinha a liberdade de viajar; liberdade de reunião naquele tempo proibido, devido ao receio de conspirações e tramas contra os poderes constituídos; e a Isenção de impostos.”

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A MAÇONARIA DISSECADA: Quando a Maçonaria foi exposta!


A MAÇONARIA DISSECADA


Dissecando as palavras das quais gostamos sem nos preocuparmos em seguir a etimologia ou a significação admitida, descobrimos suas virtudes mais ocultas[...]
- Michel Leiris


APRESENTAÇÃO



Nos trabalhos de resgate duma linha de tempo para as Tradições Maçônicas algumas publicações espúrias (publicadas a revelia das Instituições Maçônicas oficiais de cada época) críticas a Maçonaria ou não, mas, de conteúdo (ao menos parcialmente) validado passaram a ter alto valor juntos aos documentos conhecidos como Old Charges (Antigos Deveres). Pode-se citar entre estas, obras como The Master-key to Masonry, The Three Distinct Knocks, Boaz and Jackin e a mais antiga e notória delas Masonry Dissected, ou "A Maçonaria Dissecada".

Esta obra escrita por Samuel Prichard (um pretenso iniciado Maçom) na década de 1730 apresenta algumas críticas um tendo quanto rasas a Maçonaria enquanto instituição e corrente de pensamento, mas o conteúdo de real valor na obra ao estudioso Maçom são os textos catequéticos pertinentes a Maçonaria Simbólica daquela época.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A MAIS ANTIGA ATA MAÇÔNICA CONHECIDA: O julgamento de George Paton

Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro, a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.
- Platão
APRESENTAÇÃO


A Lodge of Edinburgh Nº1[1] também chamada Mary’s Chapel é uma Loja Maçônica com sede em Edimburgo na Escócia, jurisdicionada a Grande Loja da Escócia foi fundada em 1599 por William Shaw (autor de Estatutos Schaw), e sob a autoridade de William St. Clair. Ela é a número 1 na lista da Grande Loja da Escócia, uma vez que é considerada como tendo o mais antigo registro de uma sessão maçônica, de Julho de 1599, e possuir a primeira referência histórica de membros especulativos (não construtores). Esse posto foi desafiado pela Loja de Kilwinning, constituída no oriente de Kilwinning também na Escócia.

De 1599-1688, a loja foi chamada puramente Loja de Edimburgo, nome posteriormente mudado quando a Grande Loja da Escócia confirmou a sua carta e designação sob o nome atual Loja de Edimburgo (Capela de Maria) Nº 1.

O CÓDIGO MAÇÔNICO: As Normas de Lausanne



A moral, propriamente dita, não é a doutrina que nos ensina como sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade.
 - Emmanuel Kant


O Código Moral Maçônico é um conjunto de regras de conduta ética, moral e social, seus alicerces foram lançados já ano 1717, quando aconteceu a primeira reorganização oficial de Lojas Maçônicas. Naquele momento criou-se a Grande Loja de Londres e Westminster, que com o passar dos anos conformaria a Grande Loja Unida da Inglaterra. Contudo, este Código Moral, foi decisivamente desenvolvido e aprovado pelo Congresso de Lausanne (Suíça), acontecido entre 6 e 22 de setembro de 1875. Para a laboração dos trabalhos, além da própria a Suíça, comprometeram-se os corpos maçônicos da Inglaterra e País de Gales, Bélgica, Escócia, França, Itália, Peru, Portugal, Grécia, Hungria e Cuba. Entretanto a Grécia e Escócia se retiraram previamente, e o documento final foi assinado pelos nove Supremos Conselhos que tinham permanecido representados[1].

sábado, 2 de agosto de 2014

OS PRIMEIROS RITUAIS MAÇÔNICOS: Edinburgh Register House MS 1696



Ritual é o caminho de passagem da alma para o Infinito.
- Algernon Blackwood







O mais antigo ritual[1] (maçônico) conhecido [2] sob a forma de manuscrito é o Edinburgh Register House MS, que é normalmente datado em 1696. Dois outros rituais manuscritos datam de logo após o Edinburgh Register House, o Airlie MS (1705) e o Chetwode Crawley MS (1710). É significativo que esses rituais maçônicos transcritos começaram a aparecer na década de 1690. O fato de eles existirem é um reflexo claro das mudanças que ocorreram durante o aquele século. As primeiras cerimônias realizadas pelos maçons operativos em suas Lojas nunca foram destinados a serem escritas. Mesmo no século XVI, Schaw[3] requeria que elas fossem memorizados. Em todo caso, havia pouco interesse em transpor as cerimônias para o papel, dado que a maioria dos maçons (operativos) da época era analfabeta. Knoop, Jones e Hamer acreditam que "possivelmente representam um trabalho operacional que existia algumas décadas antes da data em que os documentos foram escritos.". Todos os três manuscritos contêm duas seções:

1.      Uma série de perguntas e respostas;
2.      E, uma descrição dos procedimentos necessários para dar e receber a "palavra maçônica".

quarta-feira, 2 de julho de 2014

DO MEIO-DIA A MEIA-NOITE: Zoroastro e o Ofício Maçônico


Deus está sempre à tua porta, na pessoa dos teus irmãos de todo o mundo.
- Zoroastro





A JORNADA DOS TRABALHOS

Na abertura e também no encerramento dos trabalhos maçônicos figuram curiosas perguntas acerca da jornada de trabalho dos Maçons. A resposta é que tais trabalhos se iniciam ao Meio-Dia e se findam a Meia-Noite. Mas que mistério encerra trabalhar do Meio-Dia à Meia-Noite? A Tradição Maçônica usualmente afere tal hábito a Zaratustra, fundador e iniciador da religião persa do Zoroastrismo.

ZOROASTRO

Por volta de 700 a.C. teria nascido numa vila nas estepes da Ásia Central, atual Irã, perto do Mar de Arai, um menino. Seus pais decidiram dar-lhe o nome de Zaratustra (ou Zoroastro, versão grega de seu nome, como é mais conhecido). Ao nascer, segundo a tradição, Zoroastro não teria chorado, pelo contrário, teria rido sonoramente.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

HIRAM: O Irmão Exaltado de Salomão



Absalão lhe dizia: Olha, a tua causa é boa e reta...
- 2 Sm 15:3

 A Morte de Absalão

APRESENTAÇÃO

Por que Hiram Abiff foi tão importante a ponto de seu nome, e não o de um rei ilustre como Salomão, ser reverenciado no mundo maçônico por quase 3.000 anos? Uma tentativa de resposta pode ser dada a essa pergunta e, embora essa explicação seja baseada mais em evidências circunstanciais do que em fatos, é um enredo que daria certa lógica a respeito da história dessa época.
A seguir a história maçônica de Hiram Abiff: Hiram não era simplesmente um arquiteto secular (exotérico), era também um arquiteto de alto escalão maçônico (esotérico), supostamente, uma das três pessoas do mundo que guardavam os verdadeiros segredos da Maçonaria. No entanto, enquanto trabalhava na construção do Templo de Salomão, três rufiões tentaram forçá-lo a contar tais segredos. Por alguma razão não explícita pela Tradição Maçônica, todos esses homens tinham em seus nomes o prefixo “Jubel”. Durante a peleja que se seguiu com essas pessoas, Hiram Abiff foi morto com três golpes na cabeça, tendo seu corpo sido ocultado. Alguns de seus companheiros maçons mais tarde encontraram seu corpo e voltaram imediatamente para contar tudo ao Rei Salomão, o rei ordenou que o corpo de Hiram fosse sepultado com todos os direitos que seu cargo lhe conferia.
Essa história é centrada na época do reinado de Salomão, e, no entanto, parece ter certa correlação com a morte do Príncipe Absalão, irmão mais velho de Salomão. O Príncipe Absalão era filho do Rei Davi, e empreendeu uma rebelião contra o governo de seu pai. Após uma batalha intensa, Absalão foi morto por Joabe com três lanças cravadas no peito. Seu corpo foi então atirado em um precipício e coberto com pedras. Dois mensageiros foram imediatamente enviados ao Rei Davi pra informá-lo do ocorrido, posteriormente um grande mausoléu foi, ou teria sido, construído para Absalão pelo rei.

domingo, 29 de dezembro de 2013

HIRAM: O Faraó



Acontecia, pois (que) a terra do Egito (estava) na aflição, (já que) não havia um Senhor (vida, prosperidade, saúde para ele!) como rei da(quela) época.
-A Contenda de Apepi e Seqenenre (Papiro Sallier I)

APRESENTAÇÃO


A busca pela alegórica Palavra Perdida move e envolve a todo Maçom ávido de esclarecimento. Esta palavra teria sido perdida com a morte do mestre simbólico da Maçonaria chamado de Hiram Abiff, personagem que figura nos livros de Reis e Crônicas do Velho Testamento e que teria chefiado a construção do Templo de Salomão em Jerusalém.
Um ponto de partida para a busca dessa palavra (ou para o que ela simboliza) seria a busca antes, por seu último detentor, mas, os vestígios históricos sobre os ancestrais israelitas são parcos, quase inexistentes, tanto que alguns pesquisadores passaram a interpretá-los como versões da história de outros povos próximos.
Seguindo essa vertente, o Egito dado sua proximidade geográfica e histórica dos israelitas seria um viável candidato para (tentar) corroborar até certo ponto as narrativas bíblicas, logo, haveria no Egito um possível candidato a Hiram Abiff[1] histórico?
Em 1996 os autores Christopher Knight e Robert Lomas lançaram uma obra intitulada de “A Chave de Hiram”, que viria a inovar as teorias acerca de uma possível origem histórica para a Lenda de Hiram Abiff. Valendo-se de algumas descobertas históricas mais recentes e algumas ideias um tanto heterodoxas, propunham que tal Lenda na verdade era uma versão da trajetória de um rei egípcio chamado Seqenenre Tao II.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

HIRAM: O Filho de Hórus



As pirâmides que novamente construíste não me parecem novas, nem estranhas, apenas as mesmas com novas vestimentas.
 - William Shakespeare

APRESENTAÇÃO

A presença de elementos israelitas na Tradição Maçônica é inegável, a começar pela própria Lenda de Hiram Abif que no cerne da Maçonaria Especulativa Moderna figura como elemento principal na ritualística do Mestre Maçom. Entretanto mesmo que parcialmente esta Lenda teria alguma validade histórica?
Ora, as Sagradas Escrituras são antes de tudo textos teológicos e não prioritariamente registros históricos, e como tais, a sabedoria alegórica deve prevalecer sobre o rigor histórico. De fato, exceto por si mesmas, as Sagradas Escrituras carecem de fontes outras que corroborem suas narrativas.
Dada essa carência, mesmo desconsiderando os elementos fantásticos das Escrituras, muitos pesquisadores modernos passaram a questionar a validade histórica do que ali estava registrado. Mas se tais narrativas são de todo inválidas historicamente, o que de dizer se seu maior vestígio ou evidência; o próprio povo israelita?  
Levando em conta esse vestígio ou evidência inegável, uma nova corrente passou a circular numa tentativa de conciliar a história por assim dizer profana e as narrativas bíblicas. As Sagradas Escrituras seriam consideradas ao menos parcialmente válidas, porém, acompanhadas de certo “ruído histórico” que poderia ser no mínimo relevado com apoio de fontes ulteriores.
Com a óbvia proximidade tanto histórica quanto geográfica dos povos israelitas e egípcios os últimos seriam um ideal ponto de partida, e tal iniciativa rendeu frutos. Autores como Ralph Ellis, Robert Lomas e Laurence Gardner guardada as devidas proporções, sugerem que não somente a histórica israelita pode ser suportada com a história egípcia como na realidade seria diferentes versões da mesma história!
Essa corrente estipula que boa parte da história hoje considerada israelita se deu na verdade em contexto egípcio e que seus personagens seriam na verdade figuras da história daquele país. Partindo desse pressuposto, Hiram Abif poderia ser encontrado nos anais da história egípcia?

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

CRONOLOGIA MAÇÔNICA (Até 1717)



968 AC - No seu quarto ano de reinado, Salomão inicia a construção do Templo de Jerusalém, no Monte Moriá, no lugar que ocupava a eira de Orna e Jebuseu, ponto que separava a tribo de Judá e de Benjamim.
960 AC - O Templo de Jerusalém é consagrado. A construção durou 7,5 anos e teve um custo de 4.900 milhões de dólares (Fonte: Dicionário da Bíblia)
925 AC - O Templo de Jerusalém é saqueado pelo faraó Sheshonq (ou Shishak ou Sesac I)
715 AC - O rei de Roma, Numa Pompilio (715-673 AC), funda os Collegia de artesãos que tiveram influência fundamental para as fraternidades e corporações da Idade Média, onde se procura o ponto de origem da Maçonaria. Plutarco somente cita 9 Collegia, entre os quais carpinteiros de obra grossa, mas não menciona os de pedreiros, explicado porque naquela época não existia a divisão do trabalho e nem a especialização. Provavelmente os Collegia já existiam e Numa Pompilio se limitou a autorizá-los. Entre os Collegia, e que foi o único que perdurou, estava o Collegia de Construtores integrado por obreiros fenícios dionisíacos. Este Collegia ocupava a retaguarda das legiões invasoras romanas, construindo caminhos, pontes, fortalezas e edifícios. Atuou durante séculos e, quando por razões políticas (veja 64 AC), dissolveu-se, muitos de seus obreiros refugiaram-se nos montes de Como, reaparecendo como os Magistri Comacini e defendendo a arte arquitetônica em Itália, França, Alemanha e Inglaterra.
598 ou 586 AC - O Templo de Jerusalém é destruído por Nabucodonosor II, rei de Assíria.
536 AC - Ciro, rei dos persas autoriza a reedificação do Templo. A obra é executada por Zorobabel, príncipe de descendência direta de Davi (2o ano de retorno do cativeiro).
515 - No 6o ano do reinado de Dario I, rei dos persas, é concluída a reconstrução do Templo, sendo conhecido como 2o Templo ou Templo de Zorobabel. Tinha menos riquezas para não atrair a cobiça dos povos invasores. A Arca da Aliança já tinha desaparecido.
300 AC - Os arquitetos de Dionísio eram uma associação de homens de ciência que se distinguiam não somente pelo seu saber como porque eles se reconheciam por toques e sinais.
168 AC - Antioco Epifanes IV, rei da Síria (174-164 AC) saqueia e profana o Templo de Jerusalém, manda suspender os sacrifícios quotidianos e oferece carne de porco sobre o Altar e proíbe o culto a Jeová.
165 AC - Judas Macabeu, judeu ortodoxo, restaura e purifica o Templo de Jerusalém, em defesa do nacionalismo judaico, frente às costumes helenizantes trazidas da Grécia.
64 AC - Conforme a Lei Julia, aprovada em 90 AC (Roma) são fechados os Collegia por considerar que poderiam ser convencidos a votar em determinado candidato, convertidos em instrumentos de corrupção política.
44 AC - Herodes, O Grande, rei da Galileia, reconstrói o Templo, que passa a ser conhecido como o Terceiro Templo ou Templo de Herodes. A construção começou no 18o ano do reinado de Herodes. O edifício principal demorou 1,5 anos e os átrios 8 anos, mas o resto da obra somente terminou no tempo de procurador Albino (62-64 D.C.).

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

AS ORIGENS MÁGICAS MAÇONARIA





- Trecho retraído da obra de Eliphas Levi[1] A História da Magia

A grande associação cabalística[2], conhecida na Europa sob o nome de Maçonaria, surge de repente no mundo, no momento em que o protesto contra a Igreja acaba de desmembrar a unidade cristã. Os historiadores desta ordem não sabem explicar-lhe a origem: uns lhe dão por mãe uma associação de pedreiros formada no tempo da construção da catedral de Estrasburgo; outros lhe dão Cromwell[3] por fundador, sem entrarem questionarem se os ritos da Maçonaria inglesa do tempo de Cromwell não foram organizados contra este chefe da anarquia puritana; há ignorantes que atribuem aos jesuítas, senão a fundação ao menos a continuação e a direção desta sociedade há muito tempo secular e sempre misteriosa. À parte esta última hipótese, que se refuta por si mesma, podem se conciliar todas as outras, dizendo que os irmãos maçons pediram aos construtores da catedral de Estrasburgo seu nome e os emblemas de sua arte. Eles ainda teriam se organizado pela primeira vez publicamente na Inglaterra, a favor das instituições radicais e a despeito do despotismo de Cromwell. Pode-se adicionar que eles tiveram os templários por modelos, os rosa-cruzes por pais e os joanitas[4] por antepassados. Seu dogma é o de Zoroastro e de Hermes, sua regra é a iniciação progressiva, seu princípio a igualdade regulada pela hierarquia e a fraternidade universal; são os mantenedores da escola de Alexandria, herdeiros de todas as iniciações antigas; são os depositários dos segredos do Apocalipse e do Zohar; o objeto de sua veneração é a verdade representada pela luz; eles toleram todas as crenças e não professam senão uma só e comum filosofia; eles não procuram senão a verdade, não ensinam senão a realidade e querem trazer progressivamente todas as inteligências à razão.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A LENDA DE NEFERHOTEP: O Assassínio do Amado Mestre



-Dei uma morada da eternidade àquele que não tinha um filho...
- O Livro Egípcio dos Mortos

APRESENTAÇÃO



Em face da estreita relação das Tradições Maçônicas com a temática egípcia (principalmente após a campanha napoleônica), naturalmente surgiram algumas pesquisa a fim de encontrar correlações entre esses campos. O Egito comumente figurava nas Escrituras Sagradas que tão fortemente influenciaram os ritos maçônicos, berço de muitos mistérios na antiguidade como o de Osíris, Isis e Hórus que muitos autores apontam como alicerce simbólico d’A Lenda de Hiram, além de ser canteiro para algumas das mais magnificentes obras da antiguidade.
Dada à óbvia excelência técnica no ofício da construção e a notória importância religiosa das edificações sagradas para aquele povo, Ofício da Construção ou da Maçonaria Operativa deve ter assumido papel um tanto proeminente naquela sociedade. Junto a essa proeminência, viria um quinhão de registro para a posteridade, os quais os estudiosos maçônicos passaram se ater (como Robert Lomas e Christopher Knight em A Chave de Hiram) e onde foi encontrada certa narrativa um tanto familiar...

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

JESUS OU YESHUA: O Maçom?



E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo.
- 1 Coríntios 10:4

APRESENTAÇÃO



A influência do movimento cristão na sociedade ocidental nos últimos 2000 anos é inegável. Hoje, a história do fundamentador deste movimento, popularmente conhecido como “Jesus Cristo”, é amplamente conhecida em todo mundo, apesar dos registros de sua trajetória serem escassos e resumissem aos evangelhos[1] canônicos, alguns apócrifos e certos testemunhos do historiador judeu Flávio Josefo (apesar do último ser um tanto questionado). 
O Novo Testamento contém 27 livros, 7 956 versículos e 138 020 palavras, e qualquer referência à juventude de Jesus se dá apenas em Lucas 2:42-49, Jesus somente volta a aparecer no relato bíblico já adulto, por volta dos 30 anos, ao ser batizado no rio Jordão por João Batista. Da infância, as Escrituras falam sobre o nascimento em Belém[2], a fuga com os pais para o Egito. Mas o que aconteceu com Jesus entre os 12 e os 30 anos[3], qual foi sua formação, o que moldou seu pensamento e o que ele fez antes de sua pregação?

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

MAÇONARIA NOAQUITA: Da Arca a Loja



OS MISTÉRIOS NOAQUITAS

Depois de nós o Dilúvio.
- Luís XV


 OS NOACHIDÆ

Avançando na investigação da origem histórica da Maçonaria se faz pertinente uma introdução a alguns questionamentos sobre o caráter de seu simbolismo. Nesse intuito, a fim de cumprir alguma expectativa de prestar justiça ao tema, torna-se evidente a necessidade de adotar como ponto de partida uma época tanto remota. Deve-se, no entanto, revisar a história antecedente e inicial da Ordem com tanta disponibilidade quanto um entendimento satisfatório do assunto possa requerer.
Adotando, sobretudo, o ocorrido na história Antediluviana do mundo, como algo importante tanto quanto concerne a essa questão, qualquer influência sobre o novo mundo que oriunda das ruínas do antigo pode ser localizada logo após os eventos do cataclismo. Os descendentes imediatos de Noé tinham posse de pelo menos duas verdades religiosas recebidas de seu pai comum e possivelmente derivadas da linhagem de patriarcas que o precederam. Essas verdades foram à doutrina da existência de uma Inteligência Suprema, Criadora, Preservadora e Governadora do Universo e como consequência necessária, a crença na imortalidade da alma. Alma, que, como uma emanação da causa primordial, deveria ser perenizada, por uma vida futura e infindável além do pó vil e perecível que constituiu seu tabernáculo terreno.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...