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terça-feira, 30 de agosto de 2016

A MATEREGRA DOS TALHA-PEDRAS DE VENEZA



LA MARIEGOLA[1] DEI TAGIAPIERA[2] DI VENEZIA

Tradução, adaptação e notas por Tiago Roblêdo M\ M\

INTRODUÇÃO


A intenção desta análise é melhor compreender qual seria a relação entre os irmãos da Escola de "Tagiapiera" de Veneza no período medieval e entender, também, seus posicionamentos para com os membros de outros Ofícios edificativos, suas relações com as instituições eclesiásticas e com o governo local, seu sistema de proteção e de salvaguarda contra os estrangeiros, a comparação com outras realidades em outros lugares etc. Pede-se ao leitor compreensão, pois em  alguns casos a transcrição ou tradução, não estar rigorosa em determinados momentos, isto, devido às más condições do documento original.

O TALHA-PEDRA

Em Veneza, a Corporação tinha uma característica predominantemente artesanal, apesar de ter sido posteriormente descoberto que, em paralelo, havia um mercado típico, ou seja, a atividade do comércio de matérias-primas e produtos finais.
A Corporação era dividida em três categorias: os Tagiapiera ou pedreiros, os Fregadori ou ilustradores, os Segadori ou serradores. Os Intagiadori, ou entalhadores de pedras, aqueles que entalhavam folhas, flores e frutos, formavam um outro pequeno ofício, que se se tornaria por decreto do Senado em 1724 parte do Colégio de Scultori, ou escultores.

domingo, 3 de abril de 2016

O MANUSCRITO HALLIWELL: O Poema Régio da Maçonaria




INTRODUÇÃO

O Manuscrito Halliwell ou Poema Régio é datado por volta de 1390 e composto de 794 versos com rima emparelhada em inglês arcaico, tratando do Ofício Maçônico como era praticado na Inglaterra do Século XIV. Sua autoria não é totalmente esclarecida, sendo usualmente atribuída a um clérigo que tenha sido capelão ou secretário do Ofício. Foi publicado pela primeira vez em 1840 por James O. Halliwell com o título “The Early History of Freemasonry in England”, atualmente o manuscrito encontra-se no Museu Britânico, transferido da biblioteca real (quando passou a ser conhecido por manuscrito régio) em 1757 por doação do rei Jorge II.

A suma importância dada a este manuscrito pela Tradição Maçônica vem do fato de este ser comprovadamente o mais antigo documento de Maçonaria Operativa Insular que se tem registro. Comprovadamente se frisa, pois há documentos de datação ou pertinência contestada.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O RITUAL DOS FRANCOS-MAÇONS OPERATIVOS: Um Testemunho das Práticas Tradicionais


Além das aptidões e das qualidades herdadas, é a tradição que faz de nós aquilo que somos.
- Albert Einstein

APRESENTAÇÃO


 Escudo de Armas dos Maçons  (Alemanha, 1515)

Em 1909 houve uma palestra para a Sociedade de Engenheiros de Leicester, com posterior publicação dum livreto intitulado Arte Tectônica , um estudo de quinze páginas dedicado à história das agremiações de construtores, à sua organização, a algumas das suas técnicas e às suas simbologias, seu autor foi um maçom chamado Clemente Stretton.

Stretton reafirmava que a Maçonaria Especulativa foi originada a partir da Maçonaria Operativa, entretanto os Maçons Aceitos Especulativos teriam sido recebidos apenas nos graus iniciais da Ordem, tendo apenas um conhecimento parcial ou incompleto. Stretton possuía uma posição ímpar da questão, além de Maçom Especulativo, era engenheiro de profissão e trabalhara na construção de diversas estruturas, dizia que ele próprio havia recebido de um remanescente destes Maçons Operativos as instruções da A Respeitável Sociedade de Pedreiros Livres, Pedreiros Brutos, Muradores, Telhadores, Calceteiros, Pavimentadores e Ladrilheiros.

Posteriormente Thomar Carr compilou e editou parte dessas instruções com permissão desta Sociedade e auxílio do próprio Sttrenton, e esta é a obra que segue traduzida. Para os trabalhos de tradução, foram utilizadas algumas edições em língua inglesa (a original) e outras em espanhola, cujas notas e parênteses relevantes foram mantidos e acrescidos junto a algumas considerações finais e explicativas sobre o texto.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

AS OBRIGAÇÕES ANGLO-NORMANDAS: O primeiro documento da Maçonaria Inglesa


AS OBRIGAÇÕES ANGLO-NORMANDAS

Uma coisa não é justa porque é lei, mas deve ser lei porque é justa.
- Barão de Montesquieu


APRESENTAÇÃO


As origens da Maçonaria inglesas podem ser certificadamente traçadas por volta ao século XIII ou XIV, e provavelmente seu primeiro documento oficial emitido em 1356, qual enuncia Obrigações e narra sobre a formação da Companhia Anglo-Normanda[1] de Maçons de Londres e os princípios que regem a Loja que já existia em York Minster. Cipriano Oliveira em sua obra. Maçonaria, Passado, Presente e Futuro, reforça a relevância desta antiquíssima Obrigação:

“Muitos consideram-no (o primeiro ato fundador da Maçonaria Operativa, mas outros vão muito mais atrás na história. O certo é que, não sendo o mais antigo, é o mais completo e elaborado que se conhece. Informa que[...] 12 pedreiros, liderados por Henry Yevele (1320-1400), foram até a Câmara de Londres, levando um esboço de um Estatuto do Trabalhador da Pedra onde se previa, além da Obediência às autoridades locais, a fidelidade ao Rei e à Religião vigente, um pedido para que suas reuniões fossem fechadas, sem a presença de pessoas estranhas. Obtiveram a solicitada autorização oficial e fizeram um Código e um Regulamento Interno, para a instalação de uma Sociedade de Pedreiros (The Fellowship of Masons). Os seus membros passaram, assim, a ter certos direitos e vantagens, tais como: Trânsito Livre, numa época em que não se tinha a liberdade de viajar; liberdade de reunião naquele tempo proibido, devido ao receio de conspirações e tramas contra os poderes constituídos; e a Isenção de impostos.”

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A MAÇONARIA DISSECADA: Quando a Maçonaria foi exposta!


A MAÇONARIA DISSECADA


Dissecando as palavras das quais gostamos sem nos preocuparmos em seguir a etimologia ou a significação admitida, descobrimos suas virtudes mais ocultas[...]
- Michel Leiris


APRESENTAÇÃO



Nos trabalhos de resgate duma linha de tempo para as Tradições Maçônicas algumas publicações espúrias (publicadas a revelia das Instituições Maçônicas oficiais de cada época) críticas a Maçonaria ou não, mas, de conteúdo (ao menos parcialmente) validado passaram a ter alto valor juntos aos documentos conhecidos como Old Charges (Antigos Deveres). Pode-se citar entre estas, obras como The Master-key to Masonry, The Three Distinct Knocks, Boaz and Jackin e a mais antiga e notória delas Masonry Dissected, ou "A Maçonaria Dissecada".

Esta obra escrita por Samuel Prichard (um pretenso iniciado Maçom) na década de 1730 apresenta algumas críticas um tendo quanto rasas a Maçonaria enquanto instituição e corrente de pensamento, mas o conteúdo de real valor na obra ao estudioso Maçom são os textos catequéticos pertinentes a Maçonaria Simbólica daquela época.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A MAIS ANTIGA ATA MAÇÔNICA CONHECIDA: O julgamento de George Paton

Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro, a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.
- Platão
APRESENTAÇÃO


A Lodge of Edinburgh Nº1[1] também chamada Mary’s Chapel é uma Loja Maçônica com sede em Edimburgo na Escócia, jurisdicionada a Grande Loja da Escócia foi fundada em 1599 por William Shaw (autor de Estatutos Schaw), e sob a autoridade de William St. Clair. Ela é a número 1 na lista da Grande Loja da Escócia, uma vez que é considerada como tendo o mais antigo registro de uma sessão maçônica, de Julho de 1599, e possuir a primeira referência histórica de membros especulativos (não construtores). Esse posto foi desafiado pela Loja de Kilwinning, constituída no oriente de Kilwinning também na Escócia.

De 1599-1688, a loja foi chamada puramente Loja de Edimburgo, nome posteriormente mudado quando a Grande Loja da Escócia confirmou a sua carta e designação sob o nome atual Loja de Edimburgo (Capela de Maria) Nº 1.

sábado, 2 de agosto de 2014

OS PRIMEIROS RITUAIS MAÇÔNICOS: Edinburgh Register House MS 1696



Ritual é o caminho de passagem da alma para o Infinito.
- Algernon Blackwood







O mais antigo ritual[1] (maçônico) conhecido [2] sob a forma de manuscrito é o Edinburgh Register House MS, que é normalmente datado em 1696. Dois outros rituais manuscritos datam de logo após o Edinburgh Register House, o Airlie MS (1705) e o Chetwode Crawley MS (1710). É significativo que esses rituais maçônicos transcritos começaram a aparecer na década de 1690. O fato de eles existirem é um reflexo claro das mudanças que ocorreram durante o aquele século. As primeiras cerimônias realizadas pelos maçons operativos em suas Lojas nunca foram destinados a serem escritas. Mesmo no século XVI, Schaw[3] requeria que elas fossem memorizados. Em todo caso, havia pouco interesse em transpor as cerimônias para o papel, dado que a maioria dos maçons (operativos) da época era analfabeta. Knoop, Jones e Hamer acreditam que "possivelmente representam um trabalho operacional que existia algumas décadas antes da data em que os documentos foram escritos.". Todos os três manuscritos contêm duas seções:

1.      Uma série de perguntas e respostas;
2.      E, uma descrição dos procedimentos necessários para dar e receber a "palavra maçônica".

quarta-feira, 2 de julho de 2014

DO MEIO-DIA A MEIA-NOITE: Zoroastro e o Ofício Maçônico


Deus está sempre à tua porta, na pessoa dos teus irmãos de todo o mundo.
- Zoroastro





A JORNADA DOS TRABALHOS

Na abertura e também no encerramento dos trabalhos maçônicos figuram curiosas perguntas acerca da jornada de trabalho dos Maçons. A resposta é que tais trabalhos se iniciam ao Meio-Dia e se findam a Meia-Noite. Mas que mistério encerra trabalhar do Meio-Dia à Meia-Noite? A Tradição Maçônica usualmente afere tal hábito a Zaratustra, fundador e iniciador da religião persa do Zoroastrismo.

ZOROASTRO

Por volta de 700 a.C. teria nascido numa vila nas estepes da Ásia Central, atual Irã, perto do Mar de Arai, um menino. Seus pais decidiram dar-lhe o nome de Zaratustra (ou Zoroastro, versão grega de seu nome, como é mais conhecido). Ao nascer, segundo a tradição, Zoroastro não teria chorado, pelo contrário, teria rido sonoramente.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

HIRAM: O Irmão Exaltado de Salomão



Absalão lhe dizia: Olha, a tua causa é boa e reta...
- 2 Sm 15:3

 A Morte de Absalão

APRESENTAÇÃO

Por que Hiram Abiff foi tão importante a ponto de seu nome, e não o de um rei ilustre como Salomão, ser reverenciado no mundo maçônico por quase 3.000 anos? Uma tentativa de resposta pode ser dada a essa pergunta e, embora essa explicação seja baseada mais em evidências circunstanciais do que em fatos, é um enredo que daria certa lógica a respeito da história dessa época.
A seguir a história maçônica de Hiram Abiff: Hiram não era simplesmente um arquiteto secular (exotérico), era também um arquiteto de alto escalão maçônico (esotérico), supostamente, uma das três pessoas do mundo que guardavam os verdadeiros segredos da Maçonaria. No entanto, enquanto trabalhava na construção do Templo de Salomão, três rufiões tentaram forçá-lo a contar tais segredos. Por alguma razão não explícita pela Tradição Maçônica, todos esses homens tinham em seus nomes o prefixo “Jubel”. Durante a peleja que se seguiu com essas pessoas, Hiram Abiff foi morto com três golpes na cabeça, tendo seu corpo sido ocultado. Alguns de seus companheiros maçons mais tarde encontraram seu corpo e voltaram imediatamente para contar tudo ao Rei Salomão, o rei ordenou que o corpo de Hiram fosse sepultado com todos os direitos que seu cargo lhe conferia.
Essa história é centrada na época do reinado de Salomão, e, no entanto, parece ter certa correlação com a morte do Príncipe Absalão, irmão mais velho de Salomão. O Príncipe Absalão era filho do Rei Davi, e empreendeu uma rebelião contra o governo de seu pai. Após uma batalha intensa, Absalão foi morto por Joabe com três lanças cravadas no peito. Seu corpo foi então atirado em um precipício e coberto com pedras. Dois mensageiros foram imediatamente enviados ao Rei Davi pra informá-lo do ocorrido, posteriormente um grande mausoléu foi, ou teria sido, construído para Absalão pelo rei.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

HIRAM: O Filho de Hórus



As pirâmides que novamente construíste não me parecem novas, nem estranhas, apenas as mesmas com novas vestimentas.
 - William Shakespeare

APRESENTAÇÃO

A presença de elementos israelitas na Tradição Maçônica é inegável, a começar pela própria Lenda de Hiram Abif que no cerne da Maçonaria Especulativa Moderna figura como elemento principal na ritualística do Mestre Maçom. Entretanto mesmo que parcialmente esta Lenda teria alguma validade histórica?
Ora, as Sagradas Escrituras são antes de tudo textos teológicos e não prioritariamente registros históricos, e como tais, a sabedoria alegórica deve prevalecer sobre o rigor histórico. De fato, exceto por si mesmas, as Sagradas Escrituras carecem de fontes outras que corroborem suas narrativas.
Dada essa carência, mesmo desconsiderando os elementos fantásticos das Escrituras, muitos pesquisadores modernos passaram a questionar a validade histórica do que ali estava registrado. Mas se tais narrativas são de todo inválidas historicamente, o que de dizer se seu maior vestígio ou evidência; o próprio povo israelita?  
Levando em conta esse vestígio ou evidência inegável, uma nova corrente passou a circular numa tentativa de conciliar a história por assim dizer profana e as narrativas bíblicas. As Sagradas Escrituras seriam consideradas ao menos parcialmente válidas, porém, acompanhadas de certo “ruído histórico” que poderia ser no mínimo relevado com apoio de fontes ulteriores.
Com a óbvia proximidade tanto histórica quanto geográfica dos povos israelitas e egípcios os últimos seriam um ideal ponto de partida, e tal iniciativa rendeu frutos. Autores como Ralph Ellis, Robert Lomas e Laurence Gardner guardada as devidas proporções, sugerem que não somente a histórica israelita pode ser suportada com a história egípcia como na realidade seria diferentes versões da mesma história!
Essa corrente estipula que boa parte da história hoje considerada israelita se deu na verdade em contexto egípcio e que seus personagens seriam na verdade figuras da história daquele país. Partindo desse pressuposto, Hiram Abif poderia ser encontrado nos anais da história egípcia?

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

CRONOLOGIA MAÇÔNICA (Até 1717)



968 AC - No seu quarto ano de reinado, Salomão inicia a construção do Templo de Jerusalém, no Monte Moriá, no lugar que ocupava a eira de Orna e Jebuseu, ponto que separava a tribo de Judá e de Benjamim.
960 AC - O Templo de Jerusalém é consagrado. A construção durou 7,5 anos e teve um custo de 4.900 milhões de dólares (Fonte: Dicionário da Bíblia)
925 AC - O Templo de Jerusalém é saqueado pelo faraó Sheshonq (ou Shishak ou Sesac I)
715 AC - O rei de Roma, Numa Pompilio (715-673 AC), funda os Collegia de artesãos que tiveram influência fundamental para as fraternidades e corporações da Idade Média, onde se procura o ponto de origem da Maçonaria. Plutarco somente cita 9 Collegia, entre os quais carpinteiros de obra grossa, mas não menciona os de pedreiros, explicado porque naquela época não existia a divisão do trabalho e nem a especialização. Provavelmente os Collegia já existiam e Numa Pompilio se limitou a autorizá-los. Entre os Collegia, e que foi o único que perdurou, estava o Collegia de Construtores integrado por obreiros fenícios dionisíacos. Este Collegia ocupava a retaguarda das legiões invasoras romanas, construindo caminhos, pontes, fortalezas e edifícios. Atuou durante séculos e, quando por razões políticas (veja 64 AC), dissolveu-se, muitos de seus obreiros refugiaram-se nos montes de Como, reaparecendo como os Magistri Comacini e defendendo a arte arquitetônica em Itália, França, Alemanha e Inglaterra.
598 ou 586 AC - O Templo de Jerusalém é destruído por Nabucodonosor II, rei de Assíria.
536 AC - Ciro, rei dos persas autoriza a reedificação do Templo. A obra é executada por Zorobabel, príncipe de descendência direta de Davi (2o ano de retorno do cativeiro).
515 - No 6o ano do reinado de Dario I, rei dos persas, é concluída a reconstrução do Templo, sendo conhecido como 2o Templo ou Templo de Zorobabel. Tinha menos riquezas para não atrair a cobiça dos povos invasores. A Arca da Aliança já tinha desaparecido.
300 AC - Os arquitetos de Dionísio eram uma associação de homens de ciência que se distinguiam não somente pelo seu saber como porque eles se reconheciam por toques e sinais.
168 AC - Antioco Epifanes IV, rei da Síria (174-164 AC) saqueia e profana o Templo de Jerusalém, manda suspender os sacrifícios quotidianos e oferece carne de porco sobre o Altar e proíbe o culto a Jeová.
165 AC - Judas Macabeu, judeu ortodoxo, restaura e purifica o Templo de Jerusalém, em defesa do nacionalismo judaico, frente às costumes helenizantes trazidas da Grécia.
64 AC - Conforme a Lei Julia, aprovada em 90 AC (Roma) são fechados os Collegia por considerar que poderiam ser convencidos a votar em determinado candidato, convertidos em instrumentos de corrupção política.
44 AC - Herodes, O Grande, rei da Galileia, reconstrói o Templo, que passa a ser conhecido como o Terceiro Templo ou Templo de Herodes. A construção começou no 18o ano do reinado de Herodes. O edifício principal demorou 1,5 anos e os átrios 8 anos, mas o resto da obra somente terminou no tempo de procurador Albino (62-64 D.C.).

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A LENDA DE NEFERHOTEP: O Assassínio do Amado Mestre



-Dei uma morada da eternidade àquele que não tinha um filho...
- O Livro Egípcio dos Mortos

APRESENTAÇÃO



Em face da estreita relação das Tradições Maçônicas com a temática egípcia (principalmente após a campanha napoleônica), naturalmente surgiram algumas pesquisa a fim de encontrar correlações entre esses campos. O Egito comumente figurava nas Escrituras Sagradas que tão fortemente influenciaram os ritos maçônicos, berço de muitos mistérios na antiguidade como o de Osíris, Isis e Hórus que muitos autores apontam como alicerce simbólico d’A Lenda de Hiram, além de ser canteiro para algumas das mais magnificentes obras da antiguidade.
Dada à óbvia excelência técnica no ofício da construção e a notória importância religiosa das edificações sagradas para aquele povo, Ofício da Construção ou da Maçonaria Operativa deve ter assumido papel um tanto proeminente naquela sociedade. Junto a essa proeminência, viria um quinhão de registro para a posteridade, os quais os estudiosos maçônicos passaram se ater (como Robert Lomas e Christopher Knight em A Chave de Hiram) e onde foi encontrada certa narrativa um tanto familiar...

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

JESUS OU YESHUA: O Maçom?



E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo.
- 1 Coríntios 10:4

APRESENTAÇÃO



A influência do movimento cristão na sociedade ocidental nos últimos 2000 anos é inegável. Hoje, a história do fundamentador deste movimento, popularmente conhecido como “Jesus Cristo”, é amplamente conhecida em todo mundo, apesar dos registros de sua trajetória serem escassos e resumissem aos evangelhos[1] canônicos, alguns apócrifos e certos testemunhos do historiador judeu Flávio Josefo (apesar do último ser um tanto questionado). 
O Novo Testamento contém 27 livros, 7 956 versículos e 138 020 palavras, e qualquer referência à juventude de Jesus se dá apenas em Lucas 2:42-49, Jesus somente volta a aparecer no relato bíblico já adulto, por volta dos 30 anos, ao ser batizado no rio Jordão por João Batista. Da infância, as Escrituras falam sobre o nascimento em Belém[2], a fuga com os pais para o Egito. Mas o que aconteceu com Jesus entre os 12 e os 30 anos[3], qual foi sua formação, o que moldou seu pensamento e o que ele fez antes de sua pregação?

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

MAÇONARIA DIONISÍACA: Do Vinho a Pedra



No vinho estão a verdade, a vida e a morte. No vinho estão à aurora e o crepúsculo, a juventude e a transitoriedade. No vinho está o movimento pendular do tempo. No vinho se espelha a vida. 
- Roland Betsch
  
INTRODUÇÃO

Dionísio era a divindade grega equivalente à divindade romana Baco, regia os ciclos vitais, as festas, o vinho, o delírio, mas, sobretudo, do êxtase que funde o iniciado com a deidade. Dioniso possuía vários nomes e inúmeros epítetos, o teônimo Diónysos não apresenta etimologia definida, sendo possivelmente composto por Dio, céu em trácio e Nysa, filho, significando então "filho do céu". Baco, ou Bákkhos, aparece na literatura grega a partir do século 5 a.C. com Heródoto e Sófocles, em Édipo Rei, significando "ser tomado de um delírio sagrado", de onde deriva a palavra Bacante.
Ele foi à única divindade olímpica que possuía um mortal como um dos pais. É filho de Zeus e de Sêmele, princesa tebana filha de Cadmo e Harmonia. Sêmele sua mãe então grávida, instigada por Hera esposa ciumenta de Zeus, rogou ao seu amante divino para se apresentasse a ela em todo seu esplendor. Zeus a preveniu de que seria impossível a qualquer mortal resistir a tal visão, mas como tinha jurado jamais negar-lhe qualquer pedido, mesmo contrariado, surgiu diante da princesa em sua aparência divina. Sêmele não resistiu e faleceu fulminada por raios e trovões. Zeus então lhe retirou o filho do ventre e o costurou à sua coxa de onde, passado o tempo de gestação, nasceu Dionísio. Seu nascimento a partir de Zeus lhe garantiu sua própria divindade. Hera, mais uma vez interviria contra Dionísio ainda adolescente e fez com que fosse acometido por uma insanidade. Louco errava pelo mundo ensinando aos homens o cultivo da uva e a fabricação do vinho. Foi somente após ter sido purificado por Réia, sua avó, que o instruiu a refazer todos os passos que havia feito antes de sua crise, terminando assim por curá-lo, que Dionísio pode retornar a Grécia para instaurar ali seu culto. Outro desdobramento da história narra que Hera arranjou ainda, para que os Titãs o matassem, os Titãs então o fizeram em pedaços, mas ele teve seu corpo reconstituído também por Réia.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

OS QUATRO SANTOS COROADOS: Os Mártires Maçons



INTRODUÇÃO



Existem três coroas: a coroa da sabedoria, a coroa do sacerdócio e a coroa da realeza. Mas a coroa de uma boa reputação excede todas essas.

― Frases Judaicas
 
 Quattour Coronati (Quatro Coroados)

        Os Quatro Santos Coroados, na literatura hagiológica são os chamados "Santi Quatro Incoronato" quem tinham os nomes de Cláudio, Nicóstrato, Castório e Sinfrônio que foram torturados e depois martirizados em Panônia (hoje Hungria), pois se recusaram a esculpir uma estatua de uma divindade greco-romana para o Imperador Diocleciano (243-305). Um quinto mártir chamado Simplício também morreu com eles. Mas a Igreja celebra apenas 4 deles.
A versão mais comum da história conta que eles eram exímios trabalhadores em pedra e laboravam juntos. O Imperador Diocleciano já e os admirava e havia adquirido certo número de suas obras. Outros com inveja de seus talentos e da predileção dada por Diocleciano persuadiram o imperador a encomendar uma escultura de Esculápio sabendo que eles discretamente mantinham a fé cristã e iriam recusar o pedido.


Os escultores de fato recusaram a realizar tal obra. Eles foram então ordenados a fazerem sacrifícios ao Deus Sol, como forma de retratação, o que seria ainda menos aceitável para eles. Quando o oficial de Diocleciano de nome Lampadius, que estava tentando convencer os escultores a oferecer os sacrifícios, morreu subitamente, os seus parentes culparam os escultores pela sua morte os acusando da prática de magia. Para aplacar seus parentes influentes, Diocleciano ordenou que eles depois de torturados e “coroados” com pregos martelados em suas cabeças, fossem amarrados vivos dentro de caixões de chumbo e jogados no rio.
Mais tarde seus corpos foram recuperados e enterrados a três quilômetros de Roma, posteriormente o Papa Gregório Magno mencionou pela primeira vez na Igreja os "Quatro Mártires Coroados". Estes mártires foram (e ainda são até certo ponto) reverenciados na Maçonaria Especulativa Inglesa visto que os Maçons Operativos da Idade Média tinham os quatro mártires em alta. Existe ainda uma capela dos "Quatro Mártires Coroados" em Canterbury, Inglaterra, erigida em 619.

domingo, 10 de novembro de 2013

ST. REINOLD: Cavaleiro, Peregrino, Monge, Maçom e Santo



Quando a lenda é mais interessante que a realidade, imprima-se a lenda.

- John Ford
Les Quatre Fils Aymon (Os Quatro Filhos de Aymon)

St. Reinold acredita-se ter sido um mártir religioso que viveu por volta de 980 a.C., ele teria sido morto pelas mãos de companheiros de ofício pedreiros[1] e posteriormente viria a ser idolatrado como santo padroeiro deste ofício. Existem várias versões de sua vida e martírio.  St. Reinhold poderia ter sido um monge, um cavaleiro, um peregrino ou até mesmo todos os três. Sua história pode ter se originado da vida de várias pessoas diferentes numa confluência de mitos e lendas. Mesmo sua morte pode ter tido várias versões ou motivos.
Numa primeira versão, Reinold seria um monge beneditino do mosteiro de São Pantaleão, em Colônia na Alemanha. A ele foi confiado o dever de supervisionar as obras de construção que completariam a abadia. Reinold então teria sido assassinado por outros pedreiros que também trabalham na construção. Eles o espancaram até a morte com seus malhetes e posteriormente lançaram seu corpo em um fosso ou afluente do rio Reno[2].

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O ÉDITO DE ROTÁRIO

Edictum Rothari
 
O Édito de Rotário (Edictum Rothari) foi um édito promulgado pelo rei da Lombardia[1], Rotário[2] (Rothari), em 643 D.C.. Com 388 artigos e redigido em latim, abrangia não somente a tradição nacional lombarda, mas também outras legislações ditas bárbaras (como a Lex Romana Visigothorum) e também o direito romano Justiniano e pré Justiniano.
 A sociedade lombarda retratada neste édito é ainda estruturada em três graus, dos arimani (homens livres), aldi (semi-livres) e servos (escravos). O fundamento da sociedade é o núcleo familiar no qual o importante é o mundio, isto é, a senhoria que o chefe da família exercia sobre os filhos e as mulheres.
A novidade introduzida pela legislação de Rotário foi à abolição da faida, isto é, da vingança pessoal, e sua substituição pelo guidrigildo, isto é, uma indenização do ofensor a quem havia sofrido o dano (ou a seus herdeiros em caso de falecimento). O guidrigildo representava que valor de uma pessoa e não deveria ser calculado segundo a gravidade objetiva do dano sofrido, mas sim, variar segundo a condição jurídica e a colocação exercida pela pessoa que havia sofrido o dano.
Dentro das Tradições Maçônicas trata-se do registro mais antigo a abordar o ofício da Maçonaria Operativa (apensar de não se caracterizar como uma Constituição ou Old Charge ou ser classificado como tal) explicitamente, pois regula certos procedimentos dos construtores da época chamados de Mestres Comacinos[3].


O COLÉGIO COMACINO



Logo após a queda do Império Romano, no norte da península itálica se estabeleceu no século IV o povo germânico dos Lombardos, ocupando a região das atuais províncias italianas de Bergamo, Brescia, Como, Cremosa, Mântua, Milan, Pavia, Sondrio e Varese, onde fundaram um reino que sobreviveu até o século VIII. Esta zona é ainda conhecida por Lombardia. 
Os lombardos invadiram e conquistaram o norte da Itália e durante três séculos constituíram um povo que se converteu ao cristianismo e adotou o latim como língua cotidiana, sendo finalmente vencidos por Carlos Magno no ano 774 e assimilados pelos habitantes dos territórios ocupados. 
Na Lombardia, próximo à borda sul dos Alpes e antes de chegar ao Piedemonte, se encontra a província de Como que possui um lago com o mesmo nome em forma de Y. É ele o mais profundo dos lagos alpinos e seus limites estão definidos profundos vales de falhas que se produziram durante a formação dos Alpes. Dado que seus leitos foram comprimidos e erosoneados por glaciações posteriores, sua elevação é de 198 metros sobre o mar e conta com partes desse leito a 200 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. 
Hoje em dia, o lago em nada recorda da realidade do século VI em que um grupo de imigrantes construtores originários de diferentes partes da Europa se radicou em uma de suas ilhas que se encontrava com desenvolvidas fortificações. Estes construtores adquiriram fama e passaram para a história como os Mestres Comacinos e a eles foi atribuída à difusão de um estilo italiano pré-românico amplamente difundido na Alemanha, França, Inglaterra e Espanha.
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