por Roger DACHEZ – Tradução José Filardo
SE, COMO NÓS O FIZEMOS AO CONCEBER ESTE COLÓQUIO, ESCOLHERMOS ENTRAR
NO PAÍS DAS LENDAS maçônicas, explorar uma terra povoada por seres
estranhos, aventuras incomuns, e ir em busca de lugares surpreendentes e
secretos, tanto uns quanto outros, então, a cada senhor toda a honra:
Hiram, sem dúvida, será nosso primeiro encontro.
A primeira lenda de fato, no sentido cronológico do termo, mas, sem
dúvida também uma lenda fundadora. Antes e depois, a Maçonaria
especulativa não é bem a mesma coisa. A própria expressão maçonaria especulativa,
onde a ambiguidade nunca será suficientemente salientada, nos lembra
exatamente dos um dos muitos problemas, ainda por resolver totalmente,
pelo menos para esclarecer algumas coisas, relacionam-se até mesmo com a
antiguidade desta lenda, e relatos de que ela poderia ter um fundo
lendário tradicional, é o que chamamos desde o final século XIX um folclore específico das comunidades de construtores desde a Idade Média.
No quadro desta exposição, não se trata obviamente de esgotar um
assunto tão vasto e cujos contornos são, afinal, difíceis de definir. Eu
me permitiria recordar que, aqui por quase dez anos, eu me dediquei na
revista Renaissance Traditionnelle a uma longa pesquisa, sem
dúvida para retomar constantemente, e que para alguns pontos essenciais
deste debate, eu me referirei ainda hoje.
Eu gostaria de abordar a questão das possíveis fontes desta lenda e
propor algumas hipóteses plausíveis sobre as circunstâncias de sua
formação. Eu gostaria também em uma segunda etapa de examinar como a
introdução desta lenda nos primeiros anos do século XVIII, em
certo sentido modificou, e esta é certamente a tese que tentarei
esboçar diante de vocês, profundamente a própria natureza da jovem
instituição maçônica pré-especulativa ou melhor dizendo
protoespeculativa.