Mostrando postagens com marcador Lendas Maçônicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lendas Maçônicas. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de abril de 2016

O MANUSCRITO HALLIWELL: O Poema Régio da Maçonaria




INTRODUÇÃO

O Manuscrito Halliwell ou Poema Régio é datado por volta de 1390 e composto de 794 versos com rima emparelhada em inglês arcaico, tratando do Ofício Maçônico como era praticado na Inglaterra do Século XIV. Sua autoria não é totalmente esclarecida, sendo usualmente atribuída a um clérigo que tenha sido capelão ou secretário do Ofício. Foi publicado pela primeira vez em 1840 por James O. Halliwell com o título “The Early History of Freemasonry in England”, atualmente o manuscrito encontra-se no Museu Britânico, transferido da biblioteca real (quando passou a ser conhecido por manuscrito régio) em 1757 por doação do rei Jorge II.

A suma importância dada a este manuscrito pela Tradição Maçônica vem do fato de este ser comprovadamente o mais antigo documento de Maçonaria Operativa Insular que se tem registro. Comprovadamente se frisa, pois há documentos de datação ou pertinência contestada.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O RITUAL DOS FRANCOS-MAÇONS OPERATIVOS: Um Testemunho das Práticas Tradicionais


Além das aptidões e das qualidades herdadas, é a tradição que faz de nós aquilo que somos.
- Albert Einstein

APRESENTAÇÃO


 Escudo de Armas dos Maçons  (Alemanha, 1515)

Em 1909 houve uma palestra para a Sociedade de Engenheiros de Leicester, com posterior publicação dum livreto intitulado Arte Tectônica , um estudo de quinze páginas dedicado à história das agremiações de construtores, à sua organização, a algumas das suas técnicas e às suas simbologias, seu autor foi um maçom chamado Clemente Stretton.

Stretton reafirmava que a Maçonaria Especulativa foi originada a partir da Maçonaria Operativa, entretanto os Maçons Aceitos Especulativos teriam sido recebidos apenas nos graus iniciais da Ordem, tendo apenas um conhecimento parcial ou incompleto. Stretton possuía uma posição ímpar da questão, além de Maçom Especulativo, era engenheiro de profissão e trabalhara na construção de diversas estruturas, dizia que ele próprio havia recebido de um remanescente destes Maçons Operativos as instruções da A Respeitável Sociedade de Pedreiros Livres, Pedreiros Brutos, Muradores, Telhadores, Calceteiros, Pavimentadores e Ladrilheiros.

Posteriormente Thomar Carr compilou e editou parte dessas instruções com permissão desta Sociedade e auxílio do próprio Sttrenton, e esta é a obra que segue traduzida. Para os trabalhos de tradução, foram utilizadas algumas edições em língua inglesa (a original) e outras em espanhola, cujas notas e parênteses relevantes foram mantidos e acrescidos junto a algumas considerações finais e explicativas sobre o texto.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A MAÇONARIA DISSECADA: Quando a Maçonaria foi exposta!


A MAÇONARIA DISSECADA


Dissecando as palavras das quais gostamos sem nos preocuparmos em seguir a etimologia ou a significação admitida, descobrimos suas virtudes mais ocultas[...]
- Michel Leiris


APRESENTAÇÃO



Nos trabalhos de resgate duma linha de tempo para as Tradições Maçônicas algumas publicações espúrias (publicadas a revelia das Instituições Maçônicas oficiais de cada época) críticas a Maçonaria ou não, mas, de conteúdo (ao menos parcialmente) validado passaram a ter alto valor juntos aos documentos conhecidos como Old Charges (Antigos Deveres). Pode-se citar entre estas, obras como The Master-key to Masonry, The Three Distinct Knocks, Boaz and Jackin e a mais antiga e notória delas Masonry Dissected, ou "A Maçonaria Dissecada".

Esta obra escrita por Samuel Prichard (um pretenso iniciado Maçom) na década de 1730 apresenta algumas críticas um tendo quanto rasas a Maçonaria enquanto instituição e corrente de pensamento, mas o conteúdo de real valor na obra ao estudioso Maçom são os textos catequéticos pertinentes a Maçonaria Simbólica daquela época.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

HIRAM: O Irmão Exaltado de Salomão



Absalão lhe dizia: Olha, a tua causa é boa e reta...
- 2 Sm 15:3

 A Morte de Absalão

APRESENTAÇÃO

Por que Hiram Abiff foi tão importante a ponto de seu nome, e não o de um rei ilustre como Salomão, ser reverenciado no mundo maçônico por quase 3.000 anos? Uma tentativa de resposta pode ser dada a essa pergunta e, embora essa explicação seja baseada mais em evidências circunstanciais do que em fatos, é um enredo que daria certa lógica a respeito da história dessa época.
A seguir a história maçônica de Hiram Abiff: Hiram não era simplesmente um arquiteto secular (exotérico), era também um arquiteto de alto escalão maçônico (esotérico), supostamente, uma das três pessoas do mundo que guardavam os verdadeiros segredos da Maçonaria. No entanto, enquanto trabalhava na construção do Templo de Salomão, três rufiões tentaram forçá-lo a contar tais segredos. Por alguma razão não explícita pela Tradição Maçônica, todos esses homens tinham em seus nomes o prefixo “Jubel”. Durante a peleja que se seguiu com essas pessoas, Hiram Abiff foi morto com três golpes na cabeça, tendo seu corpo sido ocultado. Alguns de seus companheiros maçons mais tarde encontraram seu corpo e voltaram imediatamente para contar tudo ao Rei Salomão, o rei ordenou que o corpo de Hiram fosse sepultado com todos os direitos que seu cargo lhe conferia.
Essa história é centrada na época do reinado de Salomão, e, no entanto, parece ter certa correlação com a morte do Príncipe Absalão, irmão mais velho de Salomão. O Príncipe Absalão era filho do Rei Davi, e empreendeu uma rebelião contra o governo de seu pai. Após uma batalha intensa, Absalão foi morto por Joabe com três lanças cravadas no peito. Seu corpo foi então atirado em um precipício e coberto com pedras. Dois mensageiros foram imediatamente enviados ao Rei Davi pra informá-lo do ocorrido, posteriormente um grande mausoléu foi, ou teria sido, construído para Absalão pelo rei.

domingo, 29 de dezembro de 2013

HIRAM: O Faraó



Acontecia, pois (que) a terra do Egito (estava) na aflição, (já que) não havia um Senhor (vida, prosperidade, saúde para ele!) como rei da(quela) época.
-A Contenda de Apepi e Seqenenre (Papiro Sallier I)

APRESENTAÇÃO


A busca pela alegórica Palavra Perdida move e envolve a todo Maçom ávido de esclarecimento. Esta palavra teria sido perdida com a morte do mestre simbólico da Maçonaria chamado de Hiram Abiff, personagem que figura nos livros de Reis e Crônicas do Velho Testamento e que teria chefiado a construção do Templo de Salomão em Jerusalém.
Um ponto de partida para a busca dessa palavra (ou para o que ela simboliza) seria a busca antes, por seu último detentor, mas, os vestígios históricos sobre os ancestrais israelitas são parcos, quase inexistentes, tanto que alguns pesquisadores passaram a interpretá-los como versões da história de outros povos próximos.
Seguindo essa vertente, o Egito dado sua proximidade geográfica e histórica dos israelitas seria um viável candidato para (tentar) corroborar até certo ponto as narrativas bíblicas, logo, haveria no Egito um possível candidato a Hiram Abiff[1] histórico?
Em 1996 os autores Christopher Knight e Robert Lomas lançaram uma obra intitulada de “A Chave de Hiram”, que viria a inovar as teorias acerca de uma possível origem histórica para a Lenda de Hiram Abiff. Valendo-se de algumas descobertas históricas mais recentes e algumas ideias um tanto heterodoxas, propunham que tal Lenda na verdade era uma versão da trajetória de um rei egípcio chamado Seqenenre Tao II.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

HIRAM: O Filho de Hórus



As pirâmides que novamente construíste não me parecem novas, nem estranhas, apenas as mesmas com novas vestimentas.
 - William Shakespeare

APRESENTAÇÃO

A presença de elementos israelitas na Tradição Maçônica é inegável, a começar pela própria Lenda de Hiram Abif que no cerne da Maçonaria Especulativa Moderna figura como elemento principal na ritualística do Mestre Maçom. Entretanto mesmo que parcialmente esta Lenda teria alguma validade histórica?
Ora, as Sagradas Escrituras são antes de tudo textos teológicos e não prioritariamente registros históricos, e como tais, a sabedoria alegórica deve prevalecer sobre o rigor histórico. De fato, exceto por si mesmas, as Sagradas Escrituras carecem de fontes outras que corroborem suas narrativas.
Dada essa carência, mesmo desconsiderando os elementos fantásticos das Escrituras, muitos pesquisadores modernos passaram a questionar a validade histórica do que ali estava registrado. Mas se tais narrativas são de todo inválidas historicamente, o que de dizer se seu maior vestígio ou evidência; o próprio povo israelita?  
Levando em conta esse vestígio ou evidência inegável, uma nova corrente passou a circular numa tentativa de conciliar a história por assim dizer profana e as narrativas bíblicas. As Sagradas Escrituras seriam consideradas ao menos parcialmente válidas, porém, acompanhadas de certo “ruído histórico” que poderia ser no mínimo relevado com apoio de fontes ulteriores.
Com a óbvia proximidade tanto histórica quanto geográfica dos povos israelitas e egípcios os últimos seriam um ideal ponto de partida, e tal iniciativa rendeu frutos. Autores como Ralph Ellis, Robert Lomas e Laurence Gardner guardada as devidas proporções, sugerem que não somente a histórica israelita pode ser suportada com a história egípcia como na realidade seria diferentes versões da mesma história!
Essa corrente estipula que boa parte da história hoje considerada israelita se deu na verdade em contexto egípcio e que seus personagens seriam na verdade figuras da história daquele país. Partindo desse pressuposto, Hiram Abif poderia ser encontrado nos anais da história egípcia?

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

AS ORIGENS MÁGICAS MAÇONARIA





- Trecho retraído da obra de Eliphas Levi[1] A História da Magia

A grande associação cabalística[2], conhecida na Europa sob o nome de Maçonaria, surge de repente no mundo, no momento em que o protesto contra a Igreja acaba de desmembrar a unidade cristã. Os historiadores desta ordem não sabem explicar-lhe a origem: uns lhe dão por mãe uma associação de pedreiros formada no tempo da construção da catedral de Estrasburgo; outros lhe dão Cromwell[3] por fundador, sem entrarem questionarem se os ritos da Maçonaria inglesa do tempo de Cromwell não foram organizados contra este chefe da anarquia puritana; há ignorantes que atribuem aos jesuítas, senão a fundação ao menos a continuação e a direção desta sociedade há muito tempo secular e sempre misteriosa. À parte esta última hipótese, que se refuta por si mesma, podem se conciliar todas as outras, dizendo que os irmãos maçons pediram aos construtores da catedral de Estrasburgo seu nome e os emblemas de sua arte. Eles ainda teriam se organizado pela primeira vez publicamente na Inglaterra, a favor das instituições radicais e a despeito do despotismo de Cromwell. Pode-se adicionar que eles tiveram os templários por modelos, os rosa-cruzes por pais e os joanitas[4] por antepassados. Seu dogma é o de Zoroastro e de Hermes, sua regra é a iniciação progressiva, seu princípio a igualdade regulada pela hierarquia e a fraternidade universal; são os mantenedores da escola de Alexandria, herdeiros de todas as iniciações antigas; são os depositários dos segredos do Apocalipse e do Zohar; o objeto de sua veneração é a verdade representada pela luz; eles toleram todas as crenças e não professam senão uma só e comum filosofia; eles não procuram senão a verdade, não ensinam senão a realidade e querem trazer progressivamente todas as inteligências à razão.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A LENDA DE NEFERHOTEP: O Assassínio do Amado Mestre



-Dei uma morada da eternidade àquele que não tinha um filho...
- O Livro Egípcio dos Mortos

APRESENTAÇÃO



Em face da estreita relação das Tradições Maçônicas com a temática egípcia (principalmente após a campanha napoleônica), naturalmente surgiram algumas pesquisa a fim de encontrar correlações entre esses campos. O Egito comumente figurava nas Escrituras Sagradas que tão fortemente influenciaram os ritos maçônicos, berço de muitos mistérios na antiguidade como o de Osíris, Isis e Hórus que muitos autores apontam como alicerce simbólico d’A Lenda de Hiram, além de ser canteiro para algumas das mais magnificentes obras da antiguidade.
Dada à óbvia excelência técnica no ofício da construção e a notória importância religiosa das edificações sagradas para aquele povo, Ofício da Construção ou da Maçonaria Operativa deve ter assumido papel um tanto proeminente naquela sociedade. Junto a essa proeminência, viria um quinhão de registro para a posteridade, os quais os estudiosos maçônicos passaram se ater (como Robert Lomas e Christopher Knight em A Chave de Hiram) e onde foi encontrada certa narrativa um tanto familiar...

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

MAÇONARIA NOAQUITA: Da Arca a Loja



OS MISTÉRIOS NOAQUITAS

Depois de nós o Dilúvio.
- Luís XV


 OS NOACHIDÆ

Avançando na investigação da origem histórica da Maçonaria se faz pertinente uma introdução a alguns questionamentos sobre o caráter de seu simbolismo. Nesse intuito, a fim de cumprir alguma expectativa de prestar justiça ao tema, torna-se evidente a necessidade de adotar como ponto de partida uma época tanto remota. Deve-se, no entanto, revisar a história antecedente e inicial da Ordem com tanta disponibilidade quanto um entendimento satisfatório do assunto possa requerer.
Adotando, sobretudo, o ocorrido na história Antediluviana do mundo, como algo importante tanto quanto concerne a essa questão, qualquer influência sobre o novo mundo que oriunda das ruínas do antigo pode ser localizada logo após os eventos do cataclismo. Os descendentes imediatos de Noé tinham posse de pelo menos duas verdades religiosas recebidas de seu pai comum e possivelmente derivadas da linhagem de patriarcas que o precederam. Essas verdades foram à doutrina da existência de uma Inteligência Suprema, Criadora, Preservadora e Governadora do Universo e como consequência necessária, a crença na imortalidade da alma. Alma, que, como uma emanação da causa primordial, deveria ser perenizada, por uma vida futura e infindável além do pó vil e perecível que constituiu seu tabernáculo terreno.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

MAÇONARIA DIONISÍACA: Do Vinho a Pedra



No vinho estão a verdade, a vida e a morte. No vinho estão à aurora e o crepúsculo, a juventude e a transitoriedade. No vinho está o movimento pendular do tempo. No vinho se espelha a vida. 
- Roland Betsch
  
INTRODUÇÃO

Dionísio era a divindade grega equivalente à divindade romana Baco, regia os ciclos vitais, as festas, o vinho, o delírio, mas, sobretudo, do êxtase que funde o iniciado com a deidade. Dioniso possuía vários nomes e inúmeros epítetos, o teônimo Diónysos não apresenta etimologia definida, sendo possivelmente composto por Dio, céu em trácio e Nysa, filho, significando então "filho do céu". Baco, ou Bákkhos, aparece na literatura grega a partir do século 5 a.C. com Heródoto e Sófocles, em Édipo Rei, significando "ser tomado de um delírio sagrado", de onde deriva a palavra Bacante.
Ele foi à única divindade olímpica que possuía um mortal como um dos pais. É filho de Zeus e de Sêmele, princesa tebana filha de Cadmo e Harmonia. Sêmele sua mãe então grávida, instigada por Hera esposa ciumenta de Zeus, rogou ao seu amante divino para se apresentasse a ela em todo seu esplendor. Zeus a preveniu de que seria impossível a qualquer mortal resistir a tal visão, mas como tinha jurado jamais negar-lhe qualquer pedido, mesmo contrariado, surgiu diante da princesa em sua aparência divina. Sêmele não resistiu e faleceu fulminada por raios e trovões. Zeus então lhe retirou o filho do ventre e o costurou à sua coxa de onde, passado o tempo de gestação, nasceu Dionísio. Seu nascimento a partir de Zeus lhe garantiu sua própria divindade. Hera, mais uma vez interviria contra Dionísio ainda adolescente e fez com que fosse acometido por uma insanidade. Louco errava pelo mundo ensinando aos homens o cultivo da uva e a fabricação do vinho. Foi somente após ter sido purificado por Réia, sua avó, que o instruiu a refazer todos os passos que havia feito antes de sua crise, terminando assim por curá-lo, que Dionísio pode retornar a Grécia para instaurar ali seu culto. Outro desdobramento da história narra que Hera arranjou ainda, para que os Titãs o matassem, os Titãs então o fizeram em pedaços, mas ele teve seu corpo reconstituído também por Réia.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

OS QUATRO SANTOS COROADOS: Os Mártires Maçons



INTRODUÇÃO



Existem três coroas: a coroa da sabedoria, a coroa do sacerdócio e a coroa da realeza. Mas a coroa de uma boa reputação excede todas essas.

― Frases Judaicas
 
 Quattour Coronati (Quatro Coroados)

        Os Quatro Santos Coroados, na literatura hagiológica são os chamados "Santi Quatro Incoronato" quem tinham os nomes de Cláudio, Nicóstrato, Castório e Sinfrônio que foram torturados e depois martirizados em Panônia (hoje Hungria), pois se recusaram a esculpir uma estatua de uma divindade greco-romana para o Imperador Diocleciano (243-305). Um quinto mártir chamado Simplício também morreu com eles. Mas a Igreja celebra apenas 4 deles.
A versão mais comum da história conta que eles eram exímios trabalhadores em pedra e laboravam juntos. O Imperador Diocleciano já e os admirava e havia adquirido certo número de suas obras. Outros com inveja de seus talentos e da predileção dada por Diocleciano persuadiram o imperador a encomendar uma escultura de Esculápio sabendo que eles discretamente mantinham a fé cristã e iriam recusar o pedido.


Os escultores de fato recusaram a realizar tal obra. Eles foram então ordenados a fazerem sacrifícios ao Deus Sol, como forma de retratação, o que seria ainda menos aceitável para eles. Quando o oficial de Diocleciano de nome Lampadius, que estava tentando convencer os escultores a oferecer os sacrifícios, morreu subitamente, os seus parentes culparam os escultores pela sua morte os acusando da prática de magia. Para aplacar seus parentes influentes, Diocleciano ordenou que eles depois de torturados e “coroados” com pregos martelados em suas cabeças, fossem amarrados vivos dentro de caixões de chumbo e jogados no rio.
Mais tarde seus corpos foram recuperados e enterrados a três quilômetros de Roma, posteriormente o Papa Gregório Magno mencionou pela primeira vez na Igreja os "Quatro Mártires Coroados". Estes mártires foram (e ainda são até certo ponto) reverenciados na Maçonaria Especulativa Inglesa visto que os Maçons Operativos da Idade Média tinham os quatro mártires em alta. Existe ainda uma capela dos "Quatro Mártires Coroados" em Canterbury, Inglaterra, erigida em 619.

domingo, 10 de novembro de 2013

O CONSTRUTOR DE JOTUNHEIM: O Gigante Maçom



 É necessário de sabedoria para aquele que peregrina, pois em casa, tudo é fácil.
- O Havamal

INTRODUÇÃO


 O Mestre Construtor

Na confluência de tradições que formaram os Augustos Mistérios e Lendas Maçônicos contemporâneos, é possível notar nos anais maçônicos a influência e recortes egípcios, gregos, fenícios, israelitas dentre tantos outros. Dada à origem britânica da Maçonaria Especulativa Moderna em 1717 com a fundação da Grande Loja de Londres, é natural que alguma influência do país viesse a contribuir na composição desses Mistérios e Lendas. Por sua vez os antigos mistérios daquele reino surgem de outra confluência, vinda da interação de vários povos como pictos, celtas (e druidas), romanos, anglos, nórdicos (e saxões) e outros.
Tomando como indício o Rito Escocês (apesar dos debates sobre sua procedência de fato) é possível rastrear até aquela região do Reino Unido as origens da Maçonaria Moderna e seus ritos, e na família Sinclair (senhores de Roslin e próximos aos Templários) os ditames iniciais da Sociedade Maçônica contemporânea.
William Sinclair o Conde de Orkney e Caithness, Grande Almirante da Escócia em 1436 e deste modo construtor, foi renomado em 1441 por James II, mestre e protetor dos Maçons Escoceses, uma função hereditária aos Sinclair até 1736, em que outro W. Sinclair renunciou por não poder ocupar-se, sendo eleito o primeiro Grão-Mestre da Escócia por votação unânime dos representantes das 33 Lojas maçônicas.
Os Sinclair de então, não eram apenas Maçons-Livres Especulativos, mas também  Operativos, construtores ativos e proficientes na aplicação de geometria, engenharia e arquitetura. A família advinha de origem nórdica por meio dos duques da Normandia e dos Jarls (condes) de Orkney. Sendo os Sinclair de origem nórdica, haveria no berço desta linhagem que conduziu as gêneses da Maçonaria Especulativa Moderna algo familiar ao Ofício?

ST. REINOLD: Cavaleiro, Peregrino, Monge, Maçom e Santo



Quando a lenda é mais interessante que a realidade, imprima-se a lenda.

- John Ford
Les Quatre Fils Aymon (Os Quatro Filhos de Aymon)

St. Reinold acredita-se ter sido um mártir religioso que viveu por volta de 980 a.C., ele teria sido morto pelas mãos de companheiros de ofício pedreiros[1] e posteriormente viria a ser idolatrado como santo padroeiro deste ofício. Existem várias versões de sua vida e martírio.  St. Reinhold poderia ter sido um monge, um cavaleiro, um peregrino ou até mesmo todos os três. Sua história pode ter se originado da vida de várias pessoas diferentes numa confluência de mitos e lendas. Mesmo sua morte pode ter tido várias versões ou motivos.
Numa primeira versão, Reinold seria um monge beneditino do mosteiro de São Pantaleão, em Colônia na Alemanha. A ele foi confiado o dever de supervisionar as obras de construção que completariam a abadia. Reinold então teria sido assassinado por outros pedreiros que também trabalham na construção. Eles o espancaram até a morte com seus malhetes e posteriormente lançaram seu corpo em um fosso ou afluente do rio Reno[2].

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

HIRAM E SEUS IRMÃOS: Uma Lenda Fundadora

por Roger DACHEZ – Tradução José Filardo

SE, COMO NÓS O FIZEMOS AO CONCEBER ESTE COLÓQUIO, ESCOLHERMOS ENTRAR NO PAÍS DAS LENDAS maçônicas, explorar uma terra povoada por seres estranhos, aventuras incomuns, e ir em busca de lugares surpreendentes e secretos, tanto uns quanto outros, então, a cada senhor toda a honra: Hiram, sem dúvida, será nosso primeiro encontro.

A primeira lenda de fato, no sentido cronológico do termo, mas, sem dúvida também uma lenda fundadora. Antes e depois, a Maçonaria especulativa não é bem a mesma coisa. A própria expressão maçonaria especulativa, onde a ambiguidade nunca será suficientemente salientada, nos lembra exatamente dos um dos muitos problemas, ainda por resolver totalmente, pelo menos para esclarecer algumas coisas, relacionam-se até mesmo com a antiguidade desta lenda, e relatos de que ela poderia ter um fundo lendário tradicional, é o que chamamos desde o final século XIX um folclore específico das comunidades de construtores desde a Idade Média.

No quadro desta exposição, não se trata obviamente de esgotar um assunto tão vasto e cujos contornos são, afinal, difíceis de definir. Eu me permitiria recordar que, aqui por quase dez anos, eu me dediquei na revista Renaissance Traditionnelle a uma longa pesquisa, sem dúvida para retomar constantemente, e que para alguns pontos essenciais deste debate, eu me referirei ainda hoje.

Eu gostaria de abordar a questão das possíveis fontes desta lenda e propor algumas hipóteses plausíveis sobre as circunstâncias de sua formação. Eu gostaria também em uma segunda etapa de examinar como a introdução desta lenda nos primeiros anos do século XVIII, em certo sentido modificou, e esta é certamente a tese que tentarei esboçar diante de vocês, profundamente a própria natureza da jovem instituição maçônica pré-especulativa ou melhor dizendo protoespeculativa.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...