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terça-feira, 30 de agosto de 2016

A MATEREGRA DOS TALHA-PEDRAS DE VENEZA



LA MARIEGOLA[1] DEI TAGIAPIERA[2] DI VENEZIA

Tradução, adaptação e notas por Tiago Roblêdo M\ M\

INTRODUÇÃO


A intenção desta análise é melhor compreender qual seria a relação entre os irmãos da Escola de "Tagiapiera" de Veneza no período medieval e entender, também, seus posicionamentos para com os membros de outros Ofícios edificativos, suas relações com as instituições eclesiásticas e com o governo local, seu sistema de proteção e de salvaguarda contra os estrangeiros, a comparação com outras realidades em outros lugares etc. Pede-se ao leitor compreensão, pois em  alguns casos a transcrição ou tradução, não estar rigorosa em determinados momentos, isto, devido às más condições do documento original.

O TALHA-PEDRA

Em Veneza, a Corporação tinha uma característica predominantemente artesanal, apesar de ter sido posteriormente descoberto que, em paralelo, havia um mercado típico, ou seja, a atividade do comércio de matérias-primas e produtos finais.
A Corporação era dividida em três categorias: os Tagiapiera ou pedreiros, os Fregadori ou ilustradores, os Segadori ou serradores. Os Intagiadori, ou entalhadores de pedras, aqueles que entalhavam folhas, flores e frutos, formavam um outro pequeno ofício, que se se tornaria por decreto do Senado em 1724 parte do Colégio de Scultori, ou escultores.

domingo, 3 de abril de 2016

O MANUSCRITO HALLIWELL: O Poema Régio da Maçonaria




INTRODUÇÃO

O Manuscrito Halliwell ou Poema Régio é datado por volta de 1390 e composto de 794 versos com rima emparelhada em inglês arcaico, tratando do Ofício Maçônico como era praticado na Inglaterra do Século XIV. Sua autoria não é totalmente esclarecida, sendo usualmente atribuída a um clérigo que tenha sido capelão ou secretário do Ofício. Foi publicado pela primeira vez em 1840 por James O. Halliwell com o título “The Early History of Freemasonry in England”, atualmente o manuscrito encontra-se no Museu Britânico, transferido da biblioteca real (quando passou a ser conhecido por manuscrito régio) em 1757 por doação do rei Jorge II.

A suma importância dada a este manuscrito pela Tradição Maçônica vem do fato de este ser comprovadamente o mais antigo documento de Maçonaria Operativa Insular que se tem registro. Comprovadamente se frisa, pois há documentos de datação ou pertinência contestada.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

AS OBRIGAÇÕES ANGLO-NORMANDAS: O primeiro documento da Maçonaria Inglesa


AS OBRIGAÇÕES ANGLO-NORMANDAS

Uma coisa não é justa porque é lei, mas deve ser lei porque é justa.
- Barão de Montesquieu


APRESENTAÇÃO


As origens da Maçonaria inglesas podem ser certificadamente traçadas por volta ao século XIII ou XIV, e provavelmente seu primeiro documento oficial emitido em 1356, qual enuncia Obrigações e narra sobre a formação da Companhia Anglo-Normanda[1] de Maçons de Londres e os princípios que regem a Loja que já existia em York Minster. Cipriano Oliveira em sua obra. Maçonaria, Passado, Presente e Futuro, reforça a relevância desta antiquíssima Obrigação:

“Muitos consideram-no (o primeiro ato fundador da Maçonaria Operativa, mas outros vão muito mais atrás na história. O certo é que, não sendo o mais antigo, é o mais completo e elaborado que se conhece. Informa que[...] 12 pedreiros, liderados por Henry Yevele (1320-1400), foram até a Câmara de Londres, levando um esboço de um Estatuto do Trabalhador da Pedra onde se previa, além da Obediência às autoridades locais, a fidelidade ao Rei e à Religião vigente, um pedido para que suas reuniões fossem fechadas, sem a presença de pessoas estranhas. Obtiveram a solicitada autorização oficial e fizeram um Código e um Regulamento Interno, para a instalação de uma Sociedade de Pedreiros (The Fellowship of Masons). Os seus membros passaram, assim, a ter certos direitos e vantagens, tais como: Trânsito Livre, numa época em que não se tinha a liberdade de viajar; liberdade de reunião naquele tempo proibido, devido ao receio de conspirações e tramas contra os poderes constituídos; e a Isenção de impostos.”

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A MAIS ANTIGA ATA MAÇÔNICA CONHECIDA: O julgamento de George Paton

Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro, a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.
- Platão
APRESENTAÇÃO


A Lodge of Edinburgh Nº1[1] também chamada Mary’s Chapel é uma Loja Maçônica com sede em Edimburgo na Escócia, jurisdicionada a Grande Loja da Escócia foi fundada em 1599 por William Shaw (autor de Estatutos Schaw), e sob a autoridade de William St. Clair. Ela é a número 1 na lista da Grande Loja da Escócia, uma vez que é considerada como tendo o mais antigo registro de uma sessão maçônica, de Julho de 1599, e possuir a primeira referência histórica de membros especulativos (não construtores). Esse posto foi desafiado pela Loja de Kilwinning, constituída no oriente de Kilwinning também na Escócia.

De 1599-1688, a loja foi chamada puramente Loja de Edimburgo, nome posteriormente mudado quando a Grande Loja da Escócia confirmou a sua carta e designação sob o nome atual Loja de Edimburgo (Capela de Maria) Nº 1.

O CÓDIGO MAÇÔNICO: As Normas de Lausanne



A moral, propriamente dita, não é a doutrina que nos ensina como sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade.
 - Emmanuel Kant


O Código Moral Maçônico é um conjunto de regras de conduta ética, moral e social, seus alicerces foram lançados já ano 1717, quando aconteceu a primeira reorganização oficial de Lojas Maçônicas. Naquele momento criou-se a Grande Loja de Londres e Westminster, que com o passar dos anos conformaria a Grande Loja Unida da Inglaterra. Contudo, este Código Moral, foi decisivamente desenvolvido e aprovado pelo Congresso de Lausanne (Suíça), acontecido entre 6 e 22 de setembro de 1875. Para a laboração dos trabalhos, além da própria a Suíça, comprometeram-se os corpos maçônicos da Inglaterra e País de Gales, Bélgica, Escócia, França, Itália, Peru, Portugal, Grécia, Hungria e Cuba. Entretanto a Grécia e Escócia se retiraram previamente, e o documento final foi assinado pelos nove Supremos Conselhos que tinham permanecido representados[1].

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

HIRAM E SEUS IRMÃOS: Uma Lenda Fundadora

por Roger DACHEZ – Tradução José Filardo

SE, COMO NÓS O FIZEMOS AO CONCEBER ESTE COLÓQUIO, ESCOLHERMOS ENTRAR NO PAÍS DAS LENDAS maçônicas, explorar uma terra povoada por seres estranhos, aventuras incomuns, e ir em busca de lugares surpreendentes e secretos, tanto uns quanto outros, então, a cada senhor toda a honra: Hiram, sem dúvida, será nosso primeiro encontro.

A primeira lenda de fato, no sentido cronológico do termo, mas, sem dúvida também uma lenda fundadora. Antes e depois, a Maçonaria especulativa não é bem a mesma coisa. A própria expressão maçonaria especulativa, onde a ambiguidade nunca será suficientemente salientada, nos lembra exatamente dos um dos muitos problemas, ainda por resolver totalmente, pelo menos para esclarecer algumas coisas, relacionam-se até mesmo com a antiguidade desta lenda, e relatos de que ela poderia ter um fundo lendário tradicional, é o que chamamos desde o final século XIX um folclore específico das comunidades de construtores desde a Idade Média.

No quadro desta exposição, não se trata obviamente de esgotar um assunto tão vasto e cujos contornos são, afinal, difíceis de definir. Eu me permitiria recordar que, aqui por quase dez anos, eu me dediquei na revista Renaissance Traditionnelle a uma longa pesquisa, sem dúvida para retomar constantemente, e que para alguns pontos essenciais deste debate, eu me referirei ainda hoje.

Eu gostaria de abordar a questão das possíveis fontes desta lenda e propor algumas hipóteses plausíveis sobre as circunstâncias de sua formação. Eu gostaria também em uma segunda etapa de examinar como a introdução desta lenda nos primeiros anos do século XVIII, em certo sentido modificou, e esta é certamente a tese que tentarei esboçar diante de vocês, profundamente a própria natureza da jovem instituição maçônica pré-especulativa ou melhor dizendo protoespeculativa.

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