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terça-feira, 30 de agosto de 2016

A MATEREGRA DOS TALHA-PEDRAS DE VENEZA



LA MARIEGOLA[1] DEI TAGIAPIERA[2] DI VENEZIA

Tradução, adaptação e notas por Tiago Roblêdo M\ M\

INTRODUÇÃO


A intenção desta análise é melhor compreender qual seria a relação entre os irmãos da Escola de "Tagiapiera" de Veneza no período medieval e entender, também, seus posicionamentos para com os membros de outros Ofícios edificativos, suas relações com as instituições eclesiásticas e com o governo local, seu sistema de proteção e de salvaguarda contra os estrangeiros, a comparação com outras realidades em outros lugares etc. Pede-se ao leitor compreensão, pois em  alguns casos a transcrição ou tradução, não estar rigorosa em determinados momentos, isto, devido às más condições do documento original.

O TALHA-PEDRA

Em Veneza, a Corporação tinha uma característica predominantemente artesanal, apesar de ter sido posteriormente descoberto que, em paralelo, havia um mercado típico, ou seja, a atividade do comércio de matérias-primas e produtos finais.
A Corporação era dividida em três categorias: os Tagiapiera ou pedreiros, os Fregadori ou ilustradores, os Segadori ou serradores. Os Intagiadori, ou entalhadores de pedras, aqueles que entalhavam folhas, flores e frutos, formavam um outro pequeno ofício, que se se tornaria por decreto do Senado em 1724 parte do Colégio de Scultori, ou escultores.

domingo, 3 de abril de 2016

O MANUSCRITO HALLIWELL: O Poema Régio da Maçonaria




INTRODUÇÃO

O Manuscrito Halliwell ou Poema Régio é datado por volta de 1390 e composto de 794 versos com rima emparelhada em inglês arcaico, tratando do Ofício Maçônico como era praticado na Inglaterra do Século XIV. Sua autoria não é totalmente esclarecida, sendo usualmente atribuída a um clérigo que tenha sido capelão ou secretário do Ofício. Foi publicado pela primeira vez em 1840 por James O. Halliwell com o título “The Early History of Freemasonry in England”, atualmente o manuscrito encontra-se no Museu Britânico, transferido da biblioteca real (quando passou a ser conhecido por manuscrito régio) em 1757 por doação do rei Jorge II.

A suma importância dada a este manuscrito pela Tradição Maçônica vem do fato de este ser comprovadamente o mais antigo documento de Maçonaria Operativa Insular que se tem registro. Comprovadamente se frisa, pois há documentos de datação ou pertinência contestada.

terça-feira, 28 de abril de 2015

A ORDEM REAL DA ESCÓCIA: A Maçonaria de Cavalaria




- Tradução e adaptação por Tiago Robledo



Existe uma tradição entre os Maçons da Escócia qual lega que após a dissolução dos Templários, muitos destes cavaleiros designados para a Escócia colocaram-se sob a proteção de Robert Bruce. Após a decisiva batalha de Bannockburn, qual ocorreu no dia de São João Batista (celebração do solstício de verão no hemisfério norte) em 1314, Robert Bruce teria então instituído a Ordem Real de Heredom e dos Cavaleiros da Rosa Cruz estabelecendo sua sede principal em Kilwinning. Desta Ordem, mesmo que de modo improvável, o atual grau de Rosa Cruz de Heredom teria se originado.
Qualquer que tenha sido a origem e fundação da Ordem Real da Escócia, esta clama ser a mais antiga, se não for de fato, Ordem Maçônica de Cavalaria, o que provavelmente é verdadeiro. A Ordem dos Cavaleiros Templários Maçons foi instituída por Maçons, mas tem muito pouco de Maçônico (no que tange o ofício da construção) em seu Ritual.

domingo, 1 de março de 2015

MANUSCRITO DE UM APRENDIZ FRANCO-MAÇON 1780




- Traduzido e adaptado por Tiago Robledo

ARQUIVOS SECRETOS: Manuscrito MS 5921-10 depositado na Biblioteca Municipal de Lyon[1]


"Sábio e iluminado discurso para a recepção de um aprendiz franco-maçom, recebido da Itália e originário da Alemanha, 1780."

(Nota escrita a mão pelo Ir\ J.B. Willermoz[2], posta ao verso do discurso)

A Maçonaria é um segredo que existe desde que o mundo foi criado. Este segredo foi passando de geração em geração até os nossos dias, e assim o continuará sendo feito até o fim dos séculos. Este segredo é impenetrável não tão somente aos profanos, mas também para os Maçons débeis, indolentes e superficiais. Ser Maçom, antes de tudo, é procurar merecer sinceramente ser iniciado em nossos mistérios.

Para se ter uma ideia desta busca, é preciso ser guiado, a Natureza se encarrega de nos inspirar este sentimento. Todo homem nasce com o desejo de ser feliz, todo homem nasce com o desejo da virtude. Mas a Natureza por si só não é suficiente para aperfeiçoar ao homem, ela sabe disto bem, e ela mesma o motiva a consultar a Razão. Esta o recebe e lhe proporciona todos seus cuidados, a Razão não rejeita jamais a aqueles que a ela se entregam.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O RITUAL DOS FRANCOS-MAÇONS OPERATIVOS: Um Testemunho das Práticas Tradicionais


Além das aptidões e das qualidades herdadas, é a tradição que faz de nós aquilo que somos.
- Albert Einstein

APRESENTAÇÃO


 Escudo de Armas dos Maçons  (Alemanha, 1515)

Em 1909 houve uma palestra para a Sociedade de Engenheiros de Leicester, com posterior publicação dum livreto intitulado Arte Tectônica , um estudo de quinze páginas dedicado à história das agremiações de construtores, à sua organização, a algumas das suas técnicas e às suas simbologias, seu autor foi um maçom chamado Clemente Stretton.

Stretton reafirmava que a Maçonaria Especulativa foi originada a partir da Maçonaria Operativa, entretanto os Maçons Aceitos Especulativos teriam sido recebidos apenas nos graus iniciais da Ordem, tendo apenas um conhecimento parcial ou incompleto. Stretton possuía uma posição ímpar da questão, além de Maçom Especulativo, era engenheiro de profissão e trabalhara na construção de diversas estruturas, dizia que ele próprio havia recebido de um remanescente destes Maçons Operativos as instruções da A Respeitável Sociedade de Pedreiros Livres, Pedreiros Brutos, Muradores, Telhadores, Calceteiros, Pavimentadores e Ladrilheiros.

Posteriormente Thomar Carr compilou e editou parte dessas instruções com permissão desta Sociedade e auxílio do próprio Sttrenton, e esta é a obra que segue traduzida. Para os trabalhos de tradução, foram utilizadas algumas edições em língua inglesa (a original) e outras em espanhola, cujas notas e parênteses relevantes foram mantidos e acrescidos junto a algumas considerações finais e explicativas sobre o texto.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

AS OBRIGAÇÕES ANGLO-NORMANDAS: O primeiro documento da Maçonaria Inglesa


AS OBRIGAÇÕES ANGLO-NORMANDAS

Uma coisa não é justa porque é lei, mas deve ser lei porque é justa.
- Barão de Montesquieu


APRESENTAÇÃO


As origens da Maçonaria inglesas podem ser certificadamente traçadas por volta ao século XIII ou XIV, e provavelmente seu primeiro documento oficial emitido em 1356, qual enuncia Obrigações e narra sobre a formação da Companhia Anglo-Normanda[1] de Maçons de Londres e os princípios que regem a Loja que já existia em York Minster. Cipriano Oliveira em sua obra. Maçonaria, Passado, Presente e Futuro, reforça a relevância desta antiquíssima Obrigação:

“Muitos consideram-no (o primeiro ato fundador da Maçonaria Operativa, mas outros vão muito mais atrás na história. O certo é que, não sendo o mais antigo, é o mais completo e elaborado que se conhece. Informa que[...] 12 pedreiros, liderados por Henry Yevele (1320-1400), foram até a Câmara de Londres, levando um esboço de um Estatuto do Trabalhador da Pedra onde se previa, além da Obediência às autoridades locais, a fidelidade ao Rei e à Religião vigente, um pedido para que suas reuniões fossem fechadas, sem a presença de pessoas estranhas. Obtiveram a solicitada autorização oficial e fizeram um Código e um Regulamento Interno, para a instalação de uma Sociedade de Pedreiros (The Fellowship of Masons). Os seus membros passaram, assim, a ter certos direitos e vantagens, tais como: Trânsito Livre, numa época em que não se tinha a liberdade de viajar; liberdade de reunião naquele tempo proibido, devido ao receio de conspirações e tramas contra os poderes constituídos; e a Isenção de impostos.”

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A MAÇONARIA DISSECADA: Quando a Maçonaria foi exposta!


A MAÇONARIA DISSECADA


Dissecando as palavras das quais gostamos sem nos preocuparmos em seguir a etimologia ou a significação admitida, descobrimos suas virtudes mais ocultas[...]
- Michel Leiris


APRESENTAÇÃO



Nos trabalhos de resgate duma linha de tempo para as Tradições Maçônicas algumas publicações espúrias (publicadas a revelia das Instituições Maçônicas oficiais de cada época) críticas a Maçonaria ou não, mas, de conteúdo (ao menos parcialmente) validado passaram a ter alto valor juntos aos documentos conhecidos como Old Charges (Antigos Deveres). Pode-se citar entre estas, obras como The Master-key to Masonry, The Three Distinct Knocks, Boaz and Jackin e a mais antiga e notória delas Masonry Dissected, ou "A Maçonaria Dissecada".

Esta obra escrita por Samuel Prichard (um pretenso iniciado Maçom) na década de 1730 apresenta algumas críticas um tendo quanto rasas a Maçonaria enquanto instituição e corrente de pensamento, mas o conteúdo de real valor na obra ao estudioso Maçom são os textos catequéticos pertinentes a Maçonaria Simbólica daquela época.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A MAIS ANTIGA ATA MAÇÔNICA CONHECIDA: O julgamento de George Paton

Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro, a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.
- Platão
APRESENTAÇÃO


A Lodge of Edinburgh Nº1[1] também chamada Mary’s Chapel é uma Loja Maçônica com sede em Edimburgo na Escócia, jurisdicionada a Grande Loja da Escócia foi fundada em 1599 por William Shaw (autor de Estatutos Schaw), e sob a autoridade de William St. Clair. Ela é a número 1 na lista da Grande Loja da Escócia, uma vez que é considerada como tendo o mais antigo registro de uma sessão maçônica, de Julho de 1599, e possuir a primeira referência histórica de membros especulativos (não construtores). Esse posto foi desafiado pela Loja de Kilwinning, constituída no oriente de Kilwinning também na Escócia.

De 1599-1688, a loja foi chamada puramente Loja de Edimburgo, nome posteriormente mudado quando a Grande Loja da Escócia confirmou a sua carta e designação sob o nome atual Loja de Edimburgo (Capela de Maria) Nº 1.

sábado, 2 de agosto de 2014

OS PRIMEIROS RITUAIS MAÇÔNICOS: Edinburgh Register House MS 1696



Ritual é o caminho de passagem da alma para o Infinito.
- Algernon Blackwood







O mais antigo ritual[1] (maçônico) conhecido [2] sob a forma de manuscrito é o Edinburgh Register House MS, que é normalmente datado em 1696. Dois outros rituais manuscritos datam de logo após o Edinburgh Register House, o Airlie MS (1705) e o Chetwode Crawley MS (1710). É significativo que esses rituais maçônicos transcritos começaram a aparecer na década de 1690. O fato de eles existirem é um reflexo claro das mudanças que ocorreram durante o aquele século. As primeiras cerimônias realizadas pelos maçons operativos em suas Lojas nunca foram destinados a serem escritas. Mesmo no século XVI, Schaw[3] requeria que elas fossem memorizados. Em todo caso, havia pouco interesse em transpor as cerimônias para o papel, dado que a maioria dos maçons (operativos) da época era analfabeta. Knoop, Jones e Hamer acreditam que "possivelmente representam um trabalho operacional que existia algumas décadas antes da data em que os documentos foram escritos.". Todos os três manuscritos contêm duas seções:

1.      Uma série de perguntas e respostas;
2.      E, uma descrição dos procedimentos necessários para dar e receber a "palavra maçônica".

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

CRONOLOGIA MAÇÔNICA (Até 1717)



968 AC - No seu quarto ano de reinado, Salomão inicia a construção do Templo de Jerusalém, no Monte Moriá, no lugar que ocupava a eira de Orna e Jebuseu, ponto que separava a tribo de Judá e de Benjamim.
960 AC - O Templo de Jerusalém é consagrado. A construção durou 7,5 anos e teve um custo de 4.900 milhões de dólares (Fonte: Dicionário da Bíblia)
925 AC - O Templo de Jerusalém é saqueado pelo faraó Sheshonq (ou Shishak ou Sesac I)
715 AC - O rei de Roma, Numa Pompilio (715-673 AC), funda os Collegia de artesãos que tiveram influência fundamental para as fraternidades e corporações da Idade Média, onde se procura o ponto de origem da Maçonaria. Plutarco somente cita 9 Collegia, entre os quais carpinteiros de obra grossa, mas não menciona os de pedreiros, explicado porque naquela época não existia a divisão do trabalho e nem a especialização. Provavelmente os Collegia já existiam e Numa Pompilio se limitou a autorizá-los. Entre os Collegia, e que foi o único que perdurou, estava o Collegia de Construtores integrado por obreiros fenícios dionisíacos. Este Collegia ocupava a retaguarda das legiões invasoras romanas, construindo caminhos, pontes, fortalezas e edifícios. Atuou durante séculos e, quando por razões políticas (veja 64 AC), dissolveu-se, muitos de seus obreiros refugiaram-se nos montes de Como, reaparecendo como os Magistri Comacini e defendendo a arte arquitetônica em Itália, França, Alemanha e Inglaterra.
598 ou 586 AC - O Templo de Jerusalém é destruído por Nabucodonosor II, rei de Assíria.
536 AC - Ciro, rei dos persas autoriza a reedificação do Templo. A obra é executada por Zorobabel, príncipe de descendência direta de Davi (2o ano de retorno do cativeiro).
515 - No 6o ano do reinado de Dario I, rei dos persas, é concluída a reconstrução do Templo, sendo conhecido como 2o Templo ou Templo de Zorobabel. Tinha menos riquezas para não atrair a cobiça dos povos invasores. A Arca da Aliança já tinha desaparecido.
300 AC - Os arquitetos de Dionísio eram uma associação de homens de ciência que se distinguiam não somente pelo seu saber como porque eles se reconheciam por toques e sinais.
168 AC - Antioco Epifanes IV, rei da Síria (174-164 AC) saqueia e profana o Templo de Jerusalém, manda suspender os sacrifícios quotidianos e oferece carne de porco sobre o Altar e proíbe o culto a Jeová.
165 AC - Judas Macabeu, judeu ortodoxo, restaura e purifica o Templo de Jerusalém, em defesa do nacionalismo judaico, frente às costumes helenizantes trazidas da Grécia.
64 AC - Conforme a Lei Julia, aprovada em 90 AC (Roma) são fechados os Collegia por considerar que poderiam ser convencidos a votar em determinado candidato, convertidos em instrumentos de corrupção política.
44 AC - Herodes, O Grande, rei da Galileia, reconstrói o Templo, que passa a ser conhecido como o Terceiro Templo ou Templo de Herodes. A construção começou no 18o ano do reinado de Herodes. O edifício principal demorou 1,5 anos e os átrios 8 anos, mas o resto da obra somente terminou no tempo de procurador Albino (62-64 D.C.).

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

JESUS OU YESHUA: O Maçom?



E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo.
- 1 Coríntios 10:4

APRESENTAÇÃO



A influência do movimento cristão na sociedade ocidental nos últimos 2000 anos é inegável. Hoje, a história do fundamentador deste movimento, popularmente conhecido como “Jesus Cristo”, é amplamente conhecida em todo mundo, apesar dos registros de sua trajetória serem escassos e resumissem aos evangelhos[1] canônicos, alguns apócrifos e certos testemunhos do historiador judeu Flávio Josefo (apesar do último ser um tanto questionado). 
O Novo Testamento contém 27 livros, 7 956 versículos e 138 020 palavras, e qualquer referência à juventude de Jesus se dá apenas em Lucas 2:42-49, Jesus somente volta a aparecer no relato bíblico já adulto, por volta dos 30 anos, ao ser batizado no rio Jordão por João Batista. Da infância, as Escrituras falam sobre o nascimento em Belém[2], a fuga com os pais para o Egito. Mas o que aconteceu com Jesus entre os 12 e os 30 anos[3], qual foi sua formação, o que moldou seu pensamento e o que ele fez antes de sua pregação?

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

MAÇONARIA NOAQUITA: Da Arca a Loja



OS MISTÉRIOS NOAQUITAS

Depois de nós o Dilúvio.
- Luís XV


 OS NOACHIDÆ

Avançando na investigação da origem histórica da Maçonaria se faz pertinente uma introdução a alguns questionamentos sobre o caráter de seu simbolismo. Nesse intuito, a fim de cumprir alguma expectativa de prestar justiça ao tema, torna-se evidente a necessidade de adotar como ponto de partida uma época tanto remota. Deve-se, no entanto, revisar a história antecedente e inicial da Ordem com tanta disponibilidade quanto um entendimento satisfatório do assunto possa requerer.
Adotando, sobretudo, o ocorrido na história Antediluviana do mundo, como algo importante tanto quanto concerne a essa questão, qualquer influência sobre o novo mundo que oriunda das ruínas do antigo pode ser localizada logo após os eventos do cataclismo. Os descendentes imediatos de Noé tinham posse de pelo menos duas verdades religiosas recebidas de seu pai comum e possivelmente derivadas da linhagem de patriarcas que o precederam. Essas verdades foram à doutrina da existência de uma Inteligência Suprema, Criadora, Preservadora e Governadora do Universo e como consequência necessária, a crença na imortalidade da alma. Alma, que, como uma emanação da causa primordial, deveria ser perenizada, por uma vida futura e infindável além do pó vil e perecível que constituiu seu tabernáculo terreno.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

OS QUATRO SANTOS COROADOS: Os Mártires Maçons



INTRODUÇÃO



Existem três coroas: a coroa da sabedoria, a coroa do sacerdócio e a coroa da realeza. Mas a coroa de uma boa reputação excede todas essas.

― Frases Judaicas
 
 Quattour Coronati (Quatro Coroados)

        Os Quatro Santos Coroados, na literatura hagiológica são os chamados "Santi Quatro Incoronato" quem tinham os nomes de Cláudio, Nicóstrato, Castório e Sinfrônio que foram torturados e depois martirizados em Panônia (hoje Hungria), pois se recusaram a esculpir uma estatua de uma divindade greco-romana para o Imperador Diocleciano (243-305). Um quinto mártir chamado Simplício também morreu com eles. Mas a Igreja celebra apenas 4 deles.
A versão mais comum da história conta que eles eram exímios trabalhadores em pedra e laboravam juntos. O Imperador Diocleciano já e os admirava e havia adquirido certo número de suas obras. Outros com inveja de seus talentos e da predileção dada por Diocleciano persuadiram o imperador a encomendar uma escultura de Esculápio sabendo que eles discretamente mantinham a fé cristã e iriam recusar o pedido.


Os escultores de fato recusaram a realizar tal obra. Eles foram então ordenados a fazerem sacrifícios ao Deus Sol, como forma de retratação, o que seria ainda menos aceitável para eles. Quando o oficial de Diocleciano de nome Lampadius, que estava tentando convencer os escultores a oferecer os sacrifícios, morreu subitamente, os seus parentes culparam os escultores pela sua morte os acusando da prática de magia. Para aplacar seus parentes influentes, Diocleciano ordenou que eles depois de torturados e “coroados” com pregos martelados em suas cabeças, fossem amarrados vivos dentro de caixões de chumbo e jogados no rio.
Mais tarde seus corpos foram recuperados e enterrados a três quilômetros de Roma, posteriormente o Papa Gregório Magno mencionou pela primeira vez na Igreja os "Quatro Mártires Coroados". Estes mártires foram (e ainda são até certo ponto) reverenciados na Maçonaria Especulativa Inglesa visto que os Maçons Operativos da Idade Média tinham os quatro mártires em alta. Existe ainda uma capela dos "Quatro Mártires Coroados" em Canterbury, Inglaterra, erigida em 619.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O ÉDITO DE ROTÁRIO

Edictum Rothari
 
O Édito de Rotário (Edictum Rothari) foi um édito promulgado pelo rei da Lombardia[1], Rotário[2] (Rothari), em 643 D.C.. Com 388 artigos e redigido em latim, abrangia não somente a tradição nacional lombarda, mas também outras legislações ditas bárbaras (como a Lex Romana Visigothorum) e também o direito romano Justiniano e pré Justiniano.
 A sociedade lombarda retratada neste édito é ainda estruturada em três graus, dos arimani (homens livres), aldi (semi-livres) e servos (escravos). O fundamento da sociedade é o núcleo familiar no qual o importante é o mundio, isto é, a senhoria que o chefe da família exercia sobre os filhos e as mulheres.
A novidade introduzida pela legislação de Rotário foi à abolição da faida, isto é, da vingança pessoal, e sua substituição pelo guidrigildo, isto é, uma indenização do ofensor a quem havia sofrido o dano (ou a seus herdeiros em caso de falecimento). O guidrigildo representava que valor de uma pessoa e não deveria ser calculado segundo a gravidade objetiva do dano sofrido, mas sim, variar segundo a condição jurídica e a colocação exercida pela pessoa que havia sofrido o dano.
Dentro das Tradições Maçônicas trata-se do registro mais antigo a abordar o ofício da Maçonaria Operativa (apensar de não se caracterizar como uma Constituição ou Old Charge ou ser classificado como tal) explicitamente, pois regula certos procedimentos dos construtores da época chamados de Mestres Comacinos[3].


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

HIRAM E SEUS IRMÃOS: Uma Lenda Fundadora

por Roger DACHEZ – Tradução José Filardo

SE, COMO NÓS O FIZEMOS AO CONCEBER ESTE COLÓQUIO, ESCOLHERMOS ENTRAR NO PAÍS DAS LENDAS maçônicas, explorar uma terra povoada por seres estranhos, aventuras incomuns, e ir em busca de lugares surpreendentes e secretos, tanto uns quanto outros, então, a cada senhor toda a honra: Hiram, sem dúvida, será nosso primeiro encontro.

A primeira lenda de fato, no sentido cronológico do termo, mas, sem dúvida também uma lenda fundadora. Antes e depois, a Maçonaria especulativa não é bem a mesma coisa. A própria expressão maçonaria especulativa, onde a ambiguidade nunca será suficientemente salientada, nos lembra exatamente dos um dos muitos problemas, ainda por resolver totalmente, pelo menos para esclarecer algumas coisas, relacionam-se até mesmo com a antiguidade desta lenda, e relatos de que ela poderia ter um fundo lendário tradicional, é o que chamamos desde o final século XIX um folclore específico das comunidades de construtores desde a Idade Média.

No quadro desta exposição, não se trata obviamente de esgotar um assunto tão vasto e cujos contornos são, afinal, difíceis de definir. Eu me permitiria recordar que, aqui por quase dez anos, eu me dediquei na revista Renaissance Traditionnelle a uma longa pesquisa, sem dúvida para retomar constantemente, e que para alguns pontos essenciais deste debate, eu me referirei ainda hoje.

Eu gostaria de abordar a questão das possíveis fontes desta lenda e propor algumas hipóteses plausíveis sobre as circunstâncias de sua formação. Eu gostaria também em uma segunda etapa de examinar como a introdução desta lenda nos primeiros anos do século XVIII, em certo sentido modificou, e esta é certamente a tese que tentarei esboçar diante de vocês, profundamente a própria natureza da jovem instituição maçônica pré-especulativa ou melhor dizendo protoespeculativa.

A CONSTITUIÇÃO DE YORK

INTRODUÇÃO

Esta constituição foi publicada pela primeira vez na pre­ciosa obra da Ir\Krause conforme J. G. FindeI, sendo intitulada de "As três Constituições mais antigas da Sociedade dos Maçons". Foi ela apresentada sob o título de "A Antiga Constituição de York, ado­tada no ano 926, ou Constituição Legal das Lojas Maçônicas da Inglaterra" , segundo o original conservado na Grande Loja de York, traduzida em latim, em 1807, por um inglês, e do inglês para o alemão pelo Ir\ J. A. Schneider, com uma série de notas explicativas".
A autenticidade desta constituição, porém, foi posta em dúvida pelo Ir\ Klass, embora muitos historiadores como Krause, Schneider, Fessier e muitos outros a considerassem não somente autêntica, como também a mais antiga.
Em 1864, uma associação de maçons alemães mandou Fin­deI à Inglaterra para descobrir o original desse controvertido documento, e às provas que Klass e Asher apresentaram contra a autenticidade deste documento, FindeI acrescentou as seguintes:
1º Que não foi possível encontrar até o presente o origi­nal idêntico à tradução de Krause; 2º que não se fala nos róis de arquitetos da catedral de York, publicados pela Surtee's Society (em Darham, 1859) nem dele; nem de uma assembleia geral de maçons, nem da Constituição projetada nos tempos de Edwin ou Athelstan; 3º que o célebre arqueólogo e histo­riador de York, Ir\ Drake não faz alusão alguma em seu discurso de 1726 (invocado por Krause como prova da autenti­cidade do documento), nem à constituição Original, nem ao documento de Krause, e que, além disso, não revela nenhuma particularidade sobre este ponto; 4º que tão pouco se en­contra alusão alguma a respeito disso nem no processo verbal de 1761 sobre a reabertura da Grande Loja de York, nem no folheto manuscrito contra a Grande Loja de Londres; 5° que este documento não está registrado nem mencionado no inven­tário feito em 1777, que ainda existe nos arquivos da Grande Loja; 6° que uma das Grandes Lojas de Berlim, pediu faz uma dúzia de anos, informações a York sobre o documento de Krause e o tesoureiro da época, Ir\ Conling (past master) fez pesquisas infrutíferas na biblioteca da catedral, e interrogou dois arqueólogos de grande renome que negaram formalmente a existência de tal documento; 7° que Stockhouse, que certificou a identidade da tradução latina (outra prova invocada por Krause); é completamente desconhecido em York; 8º que não é certo ter existido em York, em 1806, uma sociedade ar­quitetônica. Mas se as palavras summa societas arquitectonica, que constam no certificado queiram dizer Grande Loja, então é preciso tomar em consideração que essa Grande Loja, tão pouco existia naquela época; 9° que as antigas constituições conhecidas até hoje, estão todas conformes ao seu espírito, o que equivale a um testemunho indireto contra o documento em questão.
"Não há outro remédio a não ser duvidar, conclui FindeI, já que não se queira negar, que exista um documento maçônico do ano 926. E ainda quando se encontrasse um documento ori­ginal idêntico à tradução de Krause, este documento não po­deria pretender ao título de Documento de York."

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